Agência Estado
Trabalhadores sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) ocuparam ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Recife. O objetivo é pressionar o governo federal a aumentar os recursos para a reforma agrária no Estado.
Os sem-terra (1.500 segundo a Fetape, 800 segundo o Incra) chegaram por volta das 9h30 em cerca de 20 ônibus, trazendo 10 toneladas de alimentos. Eles mantiveram trancados, por seis horas, os funcionários e o superintendente regional do Incra, Roosevelt Gonçalves.
Depois de uma reunião com a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado (Sindserp), Ana Paula Pontes, que apóia o movimento, e funcionários do Incra, os líderes da Fetape e CPT decidiram libertar os funcionários. Roosevelt Gonçalves requereu, judicialmente, a reintegração de posse do prédio.
Os trabalhadores reivindicam R$ 244 milhões para a reforma agrária em Pernambuco neste ano - contra os R$ 7 milhões que afirmam estar previstos pelo governo federal; a aceleração dos processos de desapropriação de 17 áreas que tramitam no Incra; e a vistoria em 43 áreas, onde quase 3 mil pessoas estão acampadas. Também querem a presença, no Recife, do ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, e do presidente do Incra, Nélson Borges.
Na avaliação da Fetape e CPT, Pernambuco tem sido discriminado na distribuição de recursos para a reforma agrária, sendo o 14º colocado no volume de verbas liberadas. De acordo com a CPT, somente neste ano, 21 trabalhadores foram presos na luta pela terra, houve 564 agressões e ameaças de morte a trabalhadores, e 80 conflitos ocorreram áreas disputadas pelos sem-terra.
O superintendente regional do Incra não falou em valores, mas garantiu que, apesar dos cortes orçamentários, 3.500 famílias serão assentadas em Pernambuco neste ano, mantendo a média do ano passado. Ele afirmou que a demanda dos trabalhadores é muito maior do que a possibilidade de atendimento, especialmente por causa do desemprego na zona da mata, onde 200 mil canavieiros estão sem trabalho. Até dezembro, disse, apenas 30 vistorias serão feitas no Estado.
A Fetape coordena 48 ocupações de terra e 53 assentamentos e promete bloquear rodovias, na quinta-feira, dentro de uma ação nacional promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

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