Londrina – A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) administra desde o final de semana outra invasão de área pública, a segunda do ano. Desta vez moradores ocuparam uma propriedade de 12 alqueires no Distrito de Maravilha (zona sul). Foram montadas 57 barracas no terreno, mas a maioria fica desocupada.
A FOLHA verificou que 41 unidades restringem-se a estacas e lonas, nada além. "A gente vive concentrado em poucas barracas e se reveza para dormir", justificou o coordenador do movimento, o pintor Maycon da Rocha. No momento da visita da reportagem o grupo fazia um churrasco à base de costela, alcatra e Coca-Cola.
A área ocupada fica a menos de três quilômetros do distrito e foi adquirida pelo município há quase duas décadas. O objetivo do poder público era montar uma Vila Rural, mas a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) achou o projeto inviável devido à localização. Outra proposta não evoluiu e o terreno vinha sendo utilizado por um produtor local, sem consentimento da Prefeitura.
Os moradores querem que a área seja loteada. "Tem pessoa usufruindo dessa área para proveito próprio. A gente está lutando por um lugar próprio", esbravejou o pintor Ricardo André Figueiredo.
A dona de casa Lourdes Nunes, de 60 anos, é uma das poucas a manter barraca com colchão. "A esperança é ter um espaço de terra para plantar, produzir ou até mesmo ter uma casa própria", disse.
Servidores da Cohab-Ld estiveram ontem no distrito cadastrando interessados em obter a casa própria. Cerca de cem fichas foram preenchidas – 46 pessoas que participam da invasão da área pública já tinham cadastro junto à Cohab-Ld.
A companhia tem um projeto de habitação para Maravilha. "Estamos tentando viabilizar pelo menos um empreendimento em cada distrito. Em Maravilha estamos negociando uma área, mas para isso teríamos que aumentar por meio de um projeto de lei o perímetro urbano do distrito. A intenção é construir 123 unidades", disse o presidente da Cohab-Ld, José Roberto Hoffman.

mockup