Moscou, 26 (AE-AP) Um grupo de direitos humanos internacional afirmou hoje (26) que reuniu evidências médicas documentando as atrocidades cometidas pelos soldados russos contra civis chechenos, incluindo execuções sumárias, prisão ilegal e tortura.
Os dados preliminares foram divulgados hoje pelo grupo Médicos pelos Direitos Humanos, contando relatos e dados colhidos na Repúbllica da Ingushétia, para onde fugiu grande parte da população chechena durante a campanha de bombardeios dos militares russos.
A organização entrevistou 326 refugiados e quase metade disse ter visto civis sendo executados pelos russos. As acusações seguem-se a outras denúncias similares divulgadas esta semana por grupos de direitos humanos e que têm sido contundentemente negadas pela Rússia.
Em Moscou o Kremlin anunciou também hoje que o comissário da organização Direitos Humanos da Europa, Alvaro Gil-Robles, foi autorizado pela chancelaria russa a visitar a Chechênia.
A permissão para a viagem do enviado europeu foi dada após protestos no mundo todo pelas imagens divulgadas pela TV alemã de corpos sendo enterrados em vala comum ou arrastados por caminhões.
Muitos corpos estavam mutilados ou tinham sinais de tortura. A imprensa da Rússia insiste em que o modo como as imagens foram apresentadas distorce os fatos.
Os corpos, segundo o jornal Izvestia, estavam sendo enterrados "temporariamente" para posterior identificação.
Gil-Robles deve ir a um campo de refugiados na Ingushétia e a Grozny, capital chechena controlada pelas tropas russas.
Ainda hoje, a polícia do Daguestão informou que o jornalista russo Andrei Babitski, que ontem ligou para a mulher depois de passar dias sem comunicar-se com parentes e amigos, está detido por utilizar um passaporte falsificado.

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