Jerusalém, 11 (AE-AP) - Um grupo indígena alegando ser uma tribo judaica perdida pediu a Israel nesta terça-feira (11) que seja aceito de volta após 2.500 anos no exílio. Este é o mais recente pedido sendo reconsiderado por Israel devido a sua política de portas abertas para judeus e seus descendentes.
Autoridades governamentais temem que a aceitação de tais pedidos abra as portas para um fluxo de imigrantes não-judeus que ameaçaria o caráter judaico de Israel.
Representantes da comunidade Shinglung, com 3.500 membros, dizem ser descendentes de Menashe, a tribo judaica que ficou perdida depois de os judeus serem exilados de Israel em 586 antes de Cristo. O grupo étnico do qual eles são originários inclui cerca de dois milhões de pessoas em duas províncias no nordeste da Índia e em Myanmar. Cerca de 450 membros viajaram a Israel nos últimos 10 anos.
Ativistas pediram nesta terça-feira ao Comitê de Imigração e Absorção do Parlamento que receba e conceda cidadania para 100 shinglungs por ano.
"Desde criança fui ensinado que Israel é o lugar para onde deveríamos retornar", disse Samuel Joram, de 39 anos, um seminarista proveniente da província indiana de Mizuru. Ele chegou a Israel há dois anos acompanhado de sua mãe.
A comunidade Shinglung informou que até a chegada de missionários cristãos à sua região, há cerca de 100 anos, eles seguiam uma religião animista que praticava circuncisão, rituais religiosos e outros antigos hábitos judaicos.
Joram disse que seus ancestrais, separados das outras 11 tribos do judaísmo, denominam-se os filhos de Menashe.
Na década de 70, com a ajuda de um empresário da província de Monopur que estudou em um instituto judaico de Bombaim, Joram contou que os shinglungs começaram a rejeitar o cristianismo e adotaram práticas judaicas modernas.
Em 1989, Israel passou a admitir o ingresso de pequenos grupos da comunidade Shinglung e a conceder-lhes cidadania após a conversão ao judaísmo.
Enfrentando a imigração de um número cada vez maior de não-judeus vindos de ex-repúblicas soviéticas e da Etiópia, o governo tem a intenção de fechar as portas.
A Lei do Retorno - criada quando Israel era uma nação jovem, pobre e cercada de inimigos - garante a judeus e descendentes cidadania automática e assistência financeira.