Os participantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deveriam incluir os homossexuais entre as minorias, reconhecidamente discriminadas, pela Igreja Católica nos últimos séculos, defendeu, ontem na capital baiana, o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB) Luiz Mott. Os bispos planejam, ao final da conferência anual da CNBB, pedir perdão aos índios, negros e outros segmentos vítimas da intolerância da Igreja mas não se referem aos homossexuais.
Segundo Mott, um ex-seminarista dominicano, esse seria o
momento ideal para os bispos reconheceram que também erraram e continuam discriminando os homossexuais. ‘‘Recentemente o papa recebeu chefes muçulmanos, admitiu o erro da condenação de Galileu e a Igreja também deixou de chamar os protestantes de hereges’’, argumentou, lembrando que gays e lésbicas são igualmente filhos de Deus. ‘‘Milhares de homossexuais foram queimados pela inquisição e continuam sendo desprezados pelos bispos até hoje’’.
Mott diz que pesquisadores da história da sexualidade afirmam que a Igreja Católica é a principal responsável por alimentar ideologicamente a discriminação contra gays no Ocidente. Por outro lado, lembra que no Brasil alguns teólogos católicos e protestantes tem criticado essa intolerância cristã. Citou o caso de uma paróquia em Campinas (SP) que criou uma pastoral para homossexuais, sob a direção do padre José Trasferetti e a primeira igreja homossexual do Brasil, que funciona na cidade de São Paulo, a Comunidade Cristã Gay.
Ao pedir respeito aos homossexuais, Mott disse que se os
bispos não pedirem perdão pelas ‘‘atrocidades’’ cometidas contra esse segmento, o GGB pretende iniciar uma campanha nacional de ‘‘apostasia coletiva’’. Isso significa que a entidade recomendará aos gays e lésbicas batizados, que enviem cartas à Cúria desligando-se da Igreja. ‘‘Só um cínico e alienado poderá participar de uma instituição que nos insulta, persegue e estimula a violência contra nossa comunidade’’. (Agência Estado)

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