Grupo fundado por franceses ganha o Nobel da Paz
Paris, 15 (AE-AP) - Líderes do Médicos sem Fronteiras saudaram o Nobel mas alertaram que o prêmio poderia comprometer a tão louvada independência da organização e sua liberdade de ação.
A geração dos médicos que fundou o Médicos sem Fronteiras, há 28 anos, composta de jovens idealistas decepcionados com as políticas de neutralidade da Cruz Vermelha, estava visivelmente emocionada com o prêmio.
"Esta é uma distinção que temos que aceitar com dignidade", disse Philippe Biberson, presidente do Médicos sem Fronteiras na França. O grupo é chamado Medicins Sans Frontieres em francês.
"Ganhar o prêmio pode na verdade complicar nosso trabalho... Não está claro se a institucionalização da ajuda humanitária é o melhor caminho para defender populações que correm perigo", disse Biberson.
A primeira grande missão do Médicos Sem Fronteiras foi ajudar as vítimas do conflito envolvendo separatistas da Biafra na Nigéria, o que acarretou fome e sofrimentos generalizados.
O grupo, conhecido informalmente como "os médicos franceses", logo tornou-se especializado em enviar equipes médicas rapidamente para zonas de guerra e áreas atingidas por desastres naturais como terremotos ou furacões.
O grupo reivindicava o "direito de intervir" num conflito, não importando qual fosse a política do governo do lugar em perigo.
Claude Malhuret, um dos fundadores da organização e ex-ministro da Saúde, disse que o direito de intervir havia sido agora internacionalmente reconhecido e que "Médicos sem Fronteiras ajudou a ganhar alguns anos nesta questão". Falando na tv francesa LCI, Malhuret disse que achava que o prêmio "encorajaria e confortaria os milhares de voluntários" que já trabalharam para o grupo desde a sua fundação, em 1971.
Xavier Emanuelli, outro membro-fundador que mais tarde serviu como ministro para Ações Humanitárias, disse que estava "muito orgulhoso" e "muito emocionado" com o prêmio. "Nós estávamos no começo de um grande movimento que mudou culturas", afirmou.
Bernard Kouchner, ele também membro-fundador e ex-ministro da Saúde, agora destacado funcionário das Nações Unidas em Kosovo, disse que horrores como Auschwitz poderiam ter sido evitados se grupos como o Médicos Sem Fronteiras existissem no passado.





