São Paulo, 1 (AE) - O grupo francês Pinault-Printemps-Redoute (PPR), líder do varejo europeu, planeja investir cerca de R$ 125 milhões em três anos na abertura de cerca de 40 lojas no País. Metade das lojas será especializada em eletroletrônicos (Conforama) e a outra metade, em livros e discos (Fnac). A primeira unidade com a bandeira Fnac abre as portas amanhã (2), em São Paulo, no antigo prédio do ática Shopping Cultural.
A empresa teve interesse em comprar cinco ou seis pontos-de-venda do grupo Mappin-Mesbla para expandir no País, disse o presidente da Fnac, Fraçois-Henri Pinault. "Tivemos um pequeno contato com o grupo Mappin/Mesbla", afirmou Pinault.
Ele esclareceu, no entanto, que os entendimentos não foram para frente porque o plano do reestruturador do Mappin-Mesbla, José Paulo Amaral, é vender as duas companhias juntas. Isso significa que o comprador tem de levar num pacote só todas as lojas e as marcas Mappin-Mesbla. O grupo francês, no entanto, interessa-se só por alguns pontos-de-venda.
O interesse do grupo PPR, que faturou US$ 25 bilhões no ano passado, pelo Mappin-Mesbla faz sentido por dois motivos. Em primeiro lugar, o modelo escolhido pelo grupo é de grandes lojas
com área de 3 mil a 6 mil metros quadrados, atendido perfeitamente pelos pontos-de-venda do Mappin-Mesbla. Em segundo lugar, no ano passado, a companhia comprou o ponto-de-venda do ática Shopping Cultural em São Paulo. O negócio não incluiu a aquisição do prédio do ática e o repasse das dívidas.
Eletroeletrônicos - "Provavelmente a primeira loja Conforama será inaugurada dentro de um ano no Brasil", disse Pinault. Ele não descartou a possibilidade de atuar no País também vendendo produtos por meio de catálogos, com a marca La Redoute.
No setor de eletroeletrônicos e móveis (Conforama), o grupo francês planeja gastar cerca de R$ 40 milhões na abertura de 20 lojas em três anos.
O investimento nas 20 lojas Fnac, especializadas em livros e discos, será de cerca de R$ 85 milhões. A loja Fnac introduz um novo conceito de venda de livros e discos no País. Numa área de 8 mil metros quadrados, o consumidor vai encontrar, além de discos, livros e fitas, produtos de telefonia, aparelhos de áudio e vídeo, artigos de informática sofisticados, papelaria e uma galeria de exposições.
Os principais mercados da Fnac fora da França são o brasileiro e o italiano. Atualmente, a companhia tem 51 lojas Fnac na França e 14 espalhadas entre Espanha, Bélgica e Portugal. As 65 lojas faturaram no ano passado R$ 3,9 bilhões e 14% das vendas ocorreram fora da França. A expectativa é, em cinco anos, que as vendas internacionais representem 35% do faturamento esperado de R$ 7,5 bilhões.
Projeções - O diretor-geral da Fnac Brasil, Pierre Courty, disse que ainda é cedo para calcular a previsão de faturamento da primeira loja Fnac. A expectativa é abrir mais duas unidades em São Paulo ainda este ano. Com a a previsão de faturamento anual do grupo para Brasil com as lojas Fnac é de cerca de R$ 700 milhões.
A empresa também avalia a expansão da Fnac para outras cidades, como Rio de Janeiro, Curitiba, Campinas, entre outras.

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