Paris, 16 (AE-AP) - O grupo francês de petróleo Elf, recentemente adquirido pela Totalfina, anunciou o início de suas operações no Brasil, após ter obtido duas permissões para explorações localizadas na Bacia de Campos e no Delta da Amazônia.
O grupo francês deverá iniciar as instalações no ano 2001, prevendo o início da produção para o começo do ano 2004. O anúncio foi feito por Michel Meyer, diretor encarregado de América Latina da Elf, que está confiante nos resultados, argumentando que "os fundos são muito promissores".
Na Bacia de Campos, o operador Elf é o responsável pelo projeto, com 35% das partes. O restante está dividido entre a Petrobrás, a britânica Enterprise e a anglo-holandesa Shell.
Amazonas - Dois poços serão explorados em 2001 com o objetivo de lançar a produção três anos mais tarde. Os franceses estão apostando principalmente na permissão obtida, depois de dois anos de negociações, para a embocadura do Amazonas, onde as possibilidades até agora eram menos conhecidas do que as da Bacia de Campos.
Do projeto, operado pela BP Amoco, participam também a Petrobrás e a norte-americana Exxon Mobil, sendo que a Elf tem participação de 15%.
A importância da área concedida e de suas reservas potenciais pode ser medida pela profundidade das águas, de 100 metros a 2000 metros, a uma distancia de 300 quilômetros da embocadura do rio. A superfície da área, de 25.000 metros quadrados, é dez vezes maior que a área concedida em Campos, e mil vezes maior que as concessões do Golfo do México.
O conjunto das jazidas pode representar de 2 a 4 bilhões de barris, quatro ou cinco vezes mais que os reservatórios gigantes da áfrica descobertos em mar.
Segundo Meyer, essa não deixa de ser uma aposta com certos riscos. Mas, quanto ao plano geológico, a semelhança com Angola é grande, disse ele, lembrado que antes da deriva dos continentes, América Latina e áfrica eram bem próximas. O Grupo Elf quer aproveitar sua experiência na Guiana, onde é um dos principais atuantes em água profunda.
Se os resultados forem encorajadores até 2001, serão ainda necessários mais cinco anos para o início da exploração, mas a comercialização só deverá ser iniciada por volta de 2010.

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