Grupo francês compra 25% do Pão de Açúcar
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de agosto de 1999
Por Edilson Coelho e Márcia de Chiara 
São Paulo, 09 (AE) - O capital estrangeiro já tem participação nas oito maiores redes de hipermercados do País. Hoje o Pão de Açúcar, maior grupo genuinamente brasileiro, anuncia a venda de até 25% do seu capital para o grupo francês Casino, um dos maiores rivais do Carrefour. Com essa venda cai o penúltimo dos grandes sobreviventes nacionais, restando apenas a Casa Sendas.
Numa transação que poderá chegar a R$ 2,7 bilhões em cinco anos, a rede Casino expande seus domínios, devendo chegar a 35,5% do capital total. Com isso, o Casino conclui seus planos de atuação na América Latina. "É o maior negócio já registrado no varejo no Brasil", atesta o consultor da Mixxer, Eugênio Foganholo. Essa transação poderá abalar a liderança do Carrefour
primeiro no ranking nacional desde o início dos anos 90.
Essa megatransação traz um reflexo positivo para as redes com faturamento entre R$ 150 milhões e R$ 400 milhões por ano, que poderão ser alvos de futuras aquisições, na disputa entre os dois principais concorrentes: Carrefour e Pão de Açúcar. Com a supervalorização das empresas menores, diz Foganholo, a tendência nos próximos 12 meses é que uma paralisação nas operações no mercado varejista. "O crescimento deverá ser orgânico, com os grupo abrindo apenas lojas próprias", diz. "Vair ficar caro adquirir novas redes."
Estratégia - O Grupo Pão de Açúcar, nos últimos anos, fez inúmeras aquisições: nos cinco anos de Plano Real comprou as redes Mambo, Freway, Barateiro, Epical e Peralta. Também fez parte dessa expansão o arrendamento da rede Paes Mendonça e duas lojas do Mappin.
Com esse processo de expansão o grupo marcou posição em locais estratégicos do País, com bandeiras diferentes e complentares: Extra (hipermercados), Barateiro (rede popular) e Pão de Açúcar (supermercado de vizinhança). "O Grupo Pão de Açúcar tem o melhor portfólio e posicionamento", diz Foganholo.
Recentemente, essa estratégia de valorização da companhia começou a seguida pelo Carrefour, que foi às compras e passou a adquirir lojas menores, como Planaltão, Mineirão e parte das Lojas Americanas, que foram rebatizadas como o nome Stoc.
Sócio - Com a entrada do parceiro francês, a briga pelo mercado brasileiro promete reeditar o que já ocorre na Europa entre as duas redes. O Casino faturou US$ 16,5 bilhões, no ano passado, mas tem quase do dobro de sua receita, ficando em torno de US$ 30 bilhões.
Além do Brasil, o Casino já está na Colômbia, Argentina, Venezuela, Estados Unidos, Polônia e Tailândia. A expansão dos negócios do Casino, fora da França, tem sido surpreendente. No primeiro semestre, a companhia registrou crescimento de 41,3% no exterior, em relação igual período do ano passado. Enquanto isso
o aumento de vendas na França foi de apenas 4,1%, no mesmo período.


