Grupo faz vigília em frente a presídio
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Kelly Cristina Prudencio Especial para a Folha 
Um grupo de pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fez, na noite de segunda-feira, vigília em frente ao Presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, para onde os seis trabalhadores presos em Ortigueira foram levados. A transferência foi determinada pela Secretaria da Segurança Pública.
A vigília, que durou até meia-noite, foi realizada porque os sem-terra temiam que os presos fossem torturados pelos policiais, segundo informou o líder do MST em Ponta Grossa, Célio Rodrigues. Eles voltaram ao presídio ontem de manhã na troca de turno da carceragem.
Representantes do MST conversaram com o corregedor dos presídios em Ponta Grossa, o juiz Luiz Setembrino Von Holleben, que garantiu que não haveria maus tratos dentro da cadeia. Às 10 horas de ontem, o movimento conseguiu que um médico visitasse os presos. Um deles tinha sangramento nasal que, segundo Célio, é decorrência da violência sofrida no confronto com a polícia. Um exame de lesões corporais, realizado ainda em Ortigueira, confirma que dois trabalhadores tiveram escoriações na região do tórax. Os policiais negam qualquer tipo de violência ou confronto com os sem-terra.
O advogado do MST, José Sthefaniak, que entrou com um pedido de relaxamento de prisão, está tentando contato com a Comissão de Direitos Humanos, com a Anistia Internacional e com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para discutir a violência no campo e denunciar a ação da polícia. Sthefaniak também vai contestar a prisão, uma vez que considera o auto de flagrante nulo, pois o autor da voz de prisão, no caso policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), não prestou depoimento na delegacia de Ortigueira.
Os seis trabalhadores presos são José Pedro Calixto, Arlindo de Matos, Aristides dos Santos, Lourival Lesse, Luiz Castorino de Souza e Valdecir Bordingnon.
A juíza Adriana Katsuaraiama não chegou a julgar o pedido de liberdade provisória dos sem-terra, que são acusados de cárcere privado, furto de dois tratores, formação de quadrilha e porte ilegal de armas. Eles estão incomunicáveis no presídio de Ponta Grossa.
O grupo de cerca de 80 sem-terra que estava acampado desde a manhã de segunda-feira, em frente ao fórum de Ortigueira, decidiu ontem deixar o local. Porém, líderes do MST anunciaram que a vigília pela libertação dos 6 sem-terra presos na operação de reintegração de posse da Fazenda Santa Maria, irá continuar a partir de amanhã, se até lá não houver uma decisão favorável da justiça.
Oficiais do pelotão da Polícia Militar, de Ortigueira, acreditam que a transferência dos seis presos, da delegacia de Ortigueira para a 2ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, contribuiu para esvaziar o movimento. No final da tarde de ontem, o advogado José Luis Sthefaniak, que representa o MST na região dos campos gerais, deu entrada na Vara Criminal aos documentos solicitados pelo Ministério Público. Agora, juntando as certidões de antecedentes criminais e comprovante de residência, o advogado espera que a justiça julgue nesta quarta-feira o pedido de liberdade provisória dos sem-terra.


