Grupo faz protesto em frente ao TJ
Emerson Cervi
De Curitiba
Cerca de 40 sem-terra que estão acampados na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, fizeram ontem uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Paraná. O manifesto, que incluiu bandeiras do Brasil com tarja preta, 19 cruzes brancas e um caixão, marcou o primeiro dia de julgamento dos policiais militares do Pará. Segundo o sem-terra Carlos Alberto Belo, 33 anos, o MST organizou manifestações para ontem em todos os Estados.
Estamos fazendo isso para que as autoridades lembrem que é preciso justiça contra assassinos, disse. Os organizadores da manifestação pretendiam ficar em frente à entrada do TJ, dificultando a passagem dos pedestres. Mas aceitaram a determinação de policiais militares que fazem a guarda do local para que a concentração fosse no estacionamento.
Não pretendemos criar polêmica porque agora não é hora de entrar em conflito com o judiciário, disse um dos sem-terra que preferiu não ser identificado. Nenhuma das principais lideranças do MST no Paraná participou da manifestação.
Durante a concentração, os manifestantes ouviram a narração da história do massacre na versão de uma cartilha do próprio MST, que foi distribuída para todo o País. Depois, os sem-terra atravessaram a rua e voltaram para o acampamento.
Segurança NacionalEnquanto os sem-terra pediam punição aos responsáveis pelas mortes em Eldorado do Carajás em frente ao TJ, o Conselho Estadual da Propriedade Rural do Paraná (Codepro) exigia, em nota à imprensa, o enquadramento de lideranças do MST à Lei de Segurança Nacional. Na nota, o deputado Divanir Braz Palma, presidente do Codepro, diz que as autoridades do Paraná têm que cumprir a lei. É preciso agir com rigor para inibir as anunciadas invasões de fazendas produtivas no interior do Estado.
O deputado cita na nota recentes declarações de João Gonçalves, o Joãozinho Sem-terra, dando conta que o movimento estaria pronto para invadir novas áreas na região Norte do Estado. Vale lembrar que em Mato Grosso do Sul e São Paulo integrantes do MST foram parar na cadeia, denunciados com base na Lei de Segurança Nacional, por formação de quadrilha, apologia e incitação ao crime, completou.





