Curitiba – A Rede de Instituições de Acolhimento de Curitiba e Região Metropolitana (RIA), que reúne 20 entidades da sociedade civil organizada, divulgou ontem um manifesto em prol da Fundação Francisco Bertoncello, de Colombo, interditada provisoriamente pela Vara da Infância e Juventude da cidade, sob acusação de dopar crianças e adolescentes. Pela manhã, a RIA também participou, juntamente de funcionários e voluntários da organização, de um ato de apoio na Praça Nossa Senhora do Rosário, no centro do município. Os participantes levaram faixas com os dizeres "a verdade vai prevalecer" e "fundação, eu acredito".
Segundo denúncia do Ministério Público (MP), profissionais da casa utilizavam medicamentos "tarja preta", como carbolitium, lamotrigina, olanzapina e neozine, para controlar o comportamento de quem se mostrasse avesso a ordens disciplinares. A instituição abrigava 30 pessoas, com idades entre zero e 12 anos, que foram afastadas da convivência familiar – aguardam a reintegração aos pais biológicos ou a formalização do processo de adoção. Pelo menos dez delas tomavam remédios de forma contínua. Antes da interdição, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, em maio e junho, para recolher receitas, planilhas de controle e os próprios medicamentos. Os meninos e meninas foram encaminhados a outras associações da capital.
No documento, a RIA diz que a Francisco Bertoncello é tida como modelo para as demais casas de acolhimento e que "não mede esforços para contar com atendimento de psiquiatras e outros profissionais de saúde, mesmo quando esses são da rede particular". "As demais instituições pertencentes à RIA se solidarizam ao caso em questão e ressaltamos que sempre que há necessidade de medicação (controlada ou não) para as crianças dos abrigos ela é feita de acordo com orientação de profissional da área médica". A rede completa que a entidade irá se pronunciar "do pré-julgamento que está sendo feito assim que os advogados tiverem acesso ao processo, que ainda corre em segredo de justiça".

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