Por Sergio Bueno
Porto Alegre, 27 (AE) - O grupo Eberle Mundial, formado pelas empresas Eberle S.A., Zivi S.A. Cutelaria e Hercules S.A. Fábrica de Talheres, espera obter lucro no ano que vem, "após as despesas financeiras totais". A projeção consta de fato relevante publicado hoje pelo conglomerado, que semana passada anunciou um plano para a redução da sua dívida fiscal consolidada, atualmente ao redor de R$ 400 milhões entre contribuições previdenciárias, IPI e Imposto de Renda.
O comunicado divulgado hoje diz ainda que as empresas tiveram lucro nos últimos três meses, após a contabilização das despesas financeiras operacionais. Conforme o diretor superintendente e de relações com o mercado do grupo, Michael Ceitlin, havia informado na semana passada, esses encargos (referentes a descontos de duplicatas no sistema bancário) alcançam R$ 2 milhões mensais e não incluem o custo de carregamento do passivo fiscal.
Em 30 de setembro, a Zivi, a Hércules e a Eberle apresentavam patrimônio líquido negativo de R$ 175 milhões, R$ 234 milhões e 22,5 milhões, respectivamente. Os prejuízos não consolidados de cada uma eram, pela ordem, de R$ 47,8 milhões, R$ 48,3 milhões e R$ 23,5 milhões.
No acumulado do ano, segundo Ceitlin, a receita líquida do grupo chegará a R$ 228 milhões (sendo 17% com exportações), perto de 5% acima de 1998. O resultado operacional, sem contar os encargos do estoque de dívidas fiscais, deverá ficar em R$ 6 milhões negativos, contra R$ 17,6 milhões também negativos no ano passado.
A reorganização financeira planejada pelo grupo inclui a venda de ativos não-operacionais e a inscrição no Programa de Reestruturação Fiscal (Refis), lançado pelo governo federal. Também prevê a associação com um parceiro nacional ou estrangeiro ou ainda a alienação de parte dos negócios para permitir a capitalização das empresas.
Com a inscrição no Refis assim que o programa for regulamentado, o grupo pretende abater as multas e juros sobre os débitos fiscais com os prejuízos acumulados dos últimos exercícios. Com isso, o endividamento recuaria para o valor principal de R$ 220 milhões, que seria pago em parcelas mensais de no máximo 1,5% do faturamento da empresa.
O enquadramento no Refis, segundo o empresário, aumentará as chances de sucesso das negociações com potenciais sócios para a capitalização do grupo. "Tenho interessados que aprofundarão as conversas tão logo o situação fiscal esteja encaminhada".
O fato relevante publicado hoje pela Eberle Mundial também reitera as informações divulgadas semana passada. Entre elas consta a liberação para venda, pelo INSS - principal credor do grupo -, de dois prédios da controlada Zivi, um em Porto Alegre e outro em Caxias do Sul. O valor da transação, de R$ 47 milhões, será pago diretamente pelo comprador ao INSS, liquidando as dívidas referentes à parcela da contribuição previdenciária dos funcionários de responsabilidade da empresa.
Do lado operacional, o conglomerado vem promovendo um ajuste operacional que reduziu o número de unidades de nove para quatro nos últimos anos. Duas ficam em Porto Alegre, uma em Caxias do Sul e uma em Gravataí. Em 18 meses o plano é concentrar toda a produção de motores elétricos, componentes de fixação (como botões e colchetes) e cutelaria (facas e talheres) em Gravataí, liberando novos ativos para venda. O número de funcionários também caiu de 9 mil em 1993 para 4,05 mil este ano.

mockup