Grupo é preso em acampamento do MST
James Alberti
De Curitiba
A Polícia Civil prendeu anteontem dois homens acusados do assassinato de cinco pessoas, entre elas duas mulheres e uma criança, na zona rural de Cruz Machado, a 40 quilômetros de União da Vitória. João Maria Amândio Pereira, 21 anos, e José Jacir da Silva, 23 anos, seriam integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e foram presos num acampamento em Santo Inácio, na divisa do Paraná com os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Iraides Pinto Ribeiro, 31 anos, o Cabelo, suposto líder do acampamento da Fazenda Madeirite, em Inácio Martins, município vizinho a Cruz Machado, é acusado de ajudar na fuga e também foi preso. Com ele, os policiais encontraram o revólver 38 usado na chacina. A polícia também apreendeu com os acusados uma espingarda calibre 28, um revólver calibre 32 e outro revólver calibre 38, que pertencia a uma das vítimas.
O crime aconteceu no dia 1º deste mês, durante um assalto a um armazém. Foram mortos a dona do estabelecimento, Helena Krul, 61 anos, a filha dela, Danuta Sass Krul, 38 anos, o filho de Danuta, Alexandre Sass Krul, 5 anos, o vereador José Camargo, 42 anos, e Antonio Vizinhevski, 49 anos, um cliente que tomava uma cerveja. Uma sexta vítima, identificada apenas como Juca, fingiu estar morta, escapou da chacina e ajudou na identificação dos acusados. Os assaltantes levaram R$ 1.600,00 e um revólver.
A apresentação dos acusados à imprensa foi marcada para ontem pelo delegado Mário Ramos, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Mas a coletiva foi desmarcada, segundo o delegado, por pressão de parlamentares da oposição.
Conforme Ramos, assessores do senador Eduardo Suplicy e do deputado federal Aloísio Mercadante, do PT, ameaçaram processar as autoridades estaduais caso os acusados fossem identificados como membros do MST equivocadamente. A apresentação foi adiada para segunda-feira, às 15 horas.
Os acusados teriam confessado os crimes à polícia. Segundo o chefe do setor de investigação do Cope, Altair Ferreira, as vítimas foram mortas depois do vereador ter reconhecido um dos assaltantes. A camiseta que ele usava no rosto havia caído. O vereador foi o primeiro a ser morto. Depois foram assassinados o cliente da mercearia e a dona do estabelecimento. Só aí Danuta foi obrigada a ir para um quarto da casa e entregar o dinheiro e a arma.
Danuta e o filho foram levados, então, até a garagem. De dentro de um carro, Silva teria disparado um tiro de espingarda calibre 28, matando Danuta. O filho dela teria agarrado-se às pernas de Pereira. Com a criança nesta posição, o acusado teria disparado um tiro na cabeça do menino.Três homens acusados de ter matado cinco pessoas durante assalto a um mercado, em Cruz Machado, há duas semanas, foram presos anteontem
Reprodução-José SuassunaTRAGÉDIADanuta Krul e o filho Alexandre, de apenas 5 anos (no detalhe), foram mortos durante assalto ao armazém





