Grupo é contra usinas no Tibagi
Mauricio Della Barba
De Londrina
Um grupo de cerca de 40 pesquisadores está se posicionando contra a construção das hidrelétricas na bacia do rio Tibagi.O impacto ambiental será muito grande na fauna e na flora presente atualmente na bacia, diz Luiz dos Anjos, professor doutor de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e um dos coordenadores do Projeto Tibagi, que há 10 anos estuda a área.
Para o pesquisador, a construção vai causar um desequilíbrio de todo o ecossistema existente na dimensão do Tibagi, que apresenta 550 quilômetros de extensão. Espécies raras poderão ser extintas com a construção dessas usinas.
O processo de licenciamento ambiental da bacia do rio Tibagi foi discutido ontem em um workshop organizado pela Copel e UEL - através do Núcleo de Estudos do Meio Ambiente (Nema) e que contou com a presença de pesquisadores, professores, técnicos e representantes do Ibama, IAP e Copel. O projeto prevê a construção de quatro hidrelétricas no Tibagi: a usina de São Jerônimo, a maior delas e que deve gerar 330 Mw (megawatts); a usina do Cebolão, com produção de 168 Mw; a de Mauá, com capacidade de 315 Mw; e de Jataizinho, com 155 Mw.
Além do impacto no meio ambiente, as usinas vão atingir cinco reservas indígenas. Duas irão afetar diretamente os índios: a de São Jerônimo e a do Cebolão. Na reserva Barão de Antonina, que tem uma área total de 3.750 hectares, e que será afetada pela usina do Cebolão, a previsão é de que sejam alagados 49 hectares (ha). Já na reserva atingida pela usina São Jerônimo, o estrago é maior. Dos 6.422 ha de área total, 677 ha seriam alagados.
O estudo ainda está sendo feito. A discussão do assunto com toda a sociedade é importante para que não haja erros no processo, diz Paulo Procópio Burian, coordenador de Impacto Ambiental da Copel.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA) ainda estão sendo feitos pelo Ibama. O projeto inicial, que iria analisar o EIA-RIMA separado em cada usina foi alterado para a realização de um estudo integrado de toda a área, justificou o engenheiro florestal do Ibama, Sérgio Roberto Xavier.





