Grupo é acusado de aplicar golpe de R$ 3 milhões em comerciantes
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 26 (AE) - Um grupo de estelionatários é acusado pela polícia de ter aplicado golpe de R$ 3 milhões em dezenas de comerciantes da capital, usando o cadastro de uma empresa sem registro na Secretaria da Fazenda: a Embracon Comércio.
Os estelionatários compraram todo o tipo de mercadoria e teriam a cobertura de policiais civis. Dois investigadores do 5º Distrito Policial (DP), de Osasco, na Grande São Paulo, foram encontrados pela Corregedoria da Polícia Civil no depósito do grupo retirando mercadorias.
Os dois foram indiciados. A quadrilha agia havia quatro meses e os vendedores de mercadoria nada receberam. Hoje, dezenas de comerciantes foram à porta da empresa na tentativa de receber o dinheiro das vendas.
Os delegados da corregedoria estavam apurando a denúncia de policiais que estariam dando cobertura para uma quadrilha de falsários e descobriram os estelionatários.
O grupo montou um escritório com um sistema sofisticado de segurança e um depósito para estoque das mercadorias que eram vendidas a preços reduzidos. Na tarde de ontem (25), os policiais entraram no escritório da Alameda dos Aicás, 1.616, no Planalto Paulista, zona sul, e apreenderam notas fiscais falsas e documentos comprovando a compra de mercadorias.
O delegado Emerenciano Dini, responsável pela investigação, soube pelos funcionários que o depósito da quadrilha funcionava na Alameda dos Anapurus, 2.024, no mesmo quarteirão.
Quando a equipe da corregedoria chegou, encontrou 20 funcionários que separavam caixas de mercadorias. Os funcionários disseram aos policiais que o dono é o pernambucano Baltazar Reis da Silva. "Ele faz parte de um grupo que vem aplicando golpes há muito tempo em São Paulo", informou Dini.
Silva seria um dos chefes da quadrilha. O delegado explicou que o responsável pela montagem das empresas é Mário Prado, de 67 anos, um velho conhecido da polícia.
Prado aplicou golpes em todo o Estado e nas principais capitais do País. Esteve na prisão inúmeras vezes. A ficha de antecedentes policiais dele tem mais de 10 metros. "Parece que gente como ele não se emenda, pois, uma vez em liberdade, volta a aplicar golpes", afirmou Dini. Além de investigar os dois policiais de Osasco, a corregedoria apura também o envolvimento de outros policiais que estariam dando cobertura à quadrilha.


