Colônia, Alemanha, 20 (AE) - Preocupados em dar uma "face humana" à globalização, os líderes do Grupo dos Oito concluíram hoje sua reunião anual de três dias aqui afirmando que embora o processo de integração econômica mundial tenha trazido importate progresso econômico e social, ele também "deixou, particularmente nos países em desenvolvimento, alguns indivíduos e grupos sentindo-se incapazes de acompanhar (a mudança) e resultou em deslocamento (econômico)". A solução, disseram os líderes, está nas "política de seguridade social, incluindo redes de proteção social, que devem ser fortes o suficiente para habilitar os indivíduos a abraçar a mudança global e a liberalização e melhorar suas oportunidades no mercado de trabalho, fortalecendo, ao mesmo tempo, a coesão social".
Eles renovaram seu apoio à estratégia seguida para enfrentar a crise finanaceira, mas admitiram, apesar das boas notícias econômicas que o Japão e a Europa produziram nas últimas semanas e do arrefecimento da crise internacional, "muitos desafios ainda permanecem". No mundo inteiro, "um dos problemas econômicos mais urgentes é o alto nível de desemprego em muitos países", afirmaram os governantes do grupo, reafirmando a importância da cooperação internacional no tratamento do problema e a continuação de políticas de criação de emprego de acordo com a abordagem que endossaram em sua última reunião, no ano passado, em Birmingham, na Inglaterra. Estas prevêem reformas estruturais para aumentar a capacidade de adaptação e a competitividade das economias dos países ricos, principalmente na Europa, e a insistência em políticas macroeconômicas voltadas à promoção da estabilidade e do crescimento.
Numa referência indireta ao Brasil, o comunicado divulgado pelos governantes das "oito maiores democracias" estipulou que, "nos países mais seriamente afetados pela recente crise econômica e financeira... é particularmente importante manter os investimentos nos serviços sociais básicos" e usar de flexibilidade para dar prioridade orçamentária, melhora da qualidade dos investimentos e da infra-estrutura social". Os países que seguirem essa receita "terão uma recuperação mais rápida", afirmou o Grupo dos Oito.
Para garantir que os países seguirão a receita, os líderes do G-8 conclamaram os organismos financeiros internacionais, tais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, a "apoiar e acompanhar o desenvolvimento de políticas sociais e de infra-estrutura sólidas nos países em desenvolvimento". Ele aplaudiram "ações já tomadas" pelo FMI para "dar mais mais atenção a essa questão na elaboração de seus programas sociais e dar particular prioridade aos orçamentos de saúde, educação e treinamento, até onde for possível, mesmo nos momentos de consolidação fiscal". Os líderes também elogiaram uma iniciativa do Banco Mundial e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas para desenvolver princípios para uma política de boas práticas em política social". O Grupo dos Oito é integrado pelos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Canadá e Rússia, mas não pela Índia, que é a democracia mais populosa, nem o Brasil, que tem a mesma população e um PIB maior do que o do Rússia e é certamente mais democrático do que ela, mas, a exemplo da Índia, não tem o peso internacional da maior das antigas repúblicas soviéticas.
A situação econômica da Rússia - que foi incluída nos últimos anos no grupo das sete nações ricas por causa do poderio militar que herdou da antiga União Soviética e é fonte latente de instabilidade na Europa no pós-guerra fria - , foi um dos principais tópicos principais do encontro de Colônia. Uma moratória parcial decretada por Moscou, em agosto do ano passado
reascendeu a crise financeira iniciada na ásia em 1997 e alimentou o clima de desconfiança que expôs as vulnerabilidades da economia brasileira e acabou forçando o País a mudar o regime cambial, em janeiro passado.
Num reconhecimento do papel de mediação que Moscou desempenhou na busca do acordo de retirada das tropas sérvias de Kosovo, os líderes das sete maiores potências econômicas, que são também, com exceção do Japão, membros da Aliança Atlântica, sinalizaram seu apoio a um novo desembolso de US$ 4,5 bilhões do Fundo Monetário Internacional a Moscou e a disposição de renovar e recomendar a renovação de US$ 16 bilhões em créditos oficiais e de bancos comerciais que vencem nos próximos dezoito meses.
O primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, disse, depois do encontro, que os governos da Europa e dos Estados Unidos intensificarão sua cooperação com Moscou nas próximas semanas para facilitar a aprovação das reformas internas necessárias para a reativação do programa da Rússia com o FMI, que está suspenso desde o ano passado. Na semana passada, a Duma
o parlamento russo, rejeitou uma lei de aumento de impostos sobre a gasolina, negociada com o FMI para aumentar a arrecadação do governo.
Embora não se entendam sobre quem deva ser o novo diretor geral da Organização Mundial de Comércio, os líderes do G-8 renovaram seu apoio à OMC e à ampliação do número de países membros - uma referência indireta à entrada da China. Eles endossaram o lançamento de uma nova rodada de liberalização do comércio internacional durante a próxima reunião ministerial da OMC, programada para dezembro, em Seattle, nos EUA. "Concordamos que considerações ambientais devem ser plenamente levadas em consideração nessas negociações, o que inclui um esclarecimento da relação entre os acordos ambientais multilaterais e princípios ambientais fundamentais, e as regras da OMC". O comunicado sugere que as políticas sobre "cláusulas sociais" deverão ficar fora da nova rodada de negociações comerciais e permanecer na esfera da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os líderes comprometeram-se com a aplicação da Declaração dos Princípios Fundamentais dos Direitos no Trabalho, aprovada pela OIT, e aplaudiram a adoção, também no âmbito na OIT , da Convenção oara a Eliminação das Piores Formas de Trabalho Infantil.

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