Johannesburgo - A proposta brasileira sobre novas fontes de energia renováveis, que foi adotada por toda América Latina e Caribe, está ganhando apoio dentro das organizações ecológicas e do grupo dos 77 (países em desenvolvimento), no qual, por outro lado, se chocou com a total oposição dos produtores do petróleo.
O objetivo brasileiro, que se tornou há algumas semanas na proposta do bloco latino-americano e caribenho, especifica que 10% da energia deve proceder de novas fontes renováveis até 2010.
O autor da proposta, o secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo, José Goldemberg, explicou que a delegação iraniana, que coordena as discussões sobre energia no grupo dos 77, está pedindo a seus membros que cheguem a um consenso e não bloqueiem completamente a negociação.
''Arábia Saudita, Kuwait e Qatar se opõem firmemente, pois são grandes produtores de petróleo'', afirmou.
A União Européia (UE) chegou à Cúpula de Johannesburgo com uma proposta que diz que 15% da energia deve proceder de fontes renováveis até 2010. A diferença essencial entre as duas propostas é que a brasileira inclui em seu conceito de ''novas fontes renováveis de energia'' as formas geotérmica, eólica, solar, pequenas hidrelétricas e a nova biomassa. Além disso, exclui a extração de madeira de florestas em perigo.
Plano consensual - A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) continuou avançando ontem rumo a um Plano de Aplicação consensual que pode ser definido domingo, quando já deve ter chegado a Johanesburgo a maioria dos chefes de Estado participantes da reunião.
Os ''grupos de contato'' e as diferentes comissões de especialistas reduziram para 5 por cento a parte das 78 páginas do texto final da conferência que ainda está pendente de acordo, afirmou Jan Pronk, enviado especial do secretário-geral da ONU (organizadora do evento), Kofi Annan.
A Rio+10 será encerrada no dia 4 de setembro. A oitava sessão plenária da cúpula foi iniciada na tarde de ontem com declarações de diferentes organizações internacionais que falaram sobre a aplicação de programas meio-ambientais desde a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro e predecessora dessa conferência.
Um total de 34 organizações identificadas como ''entidades não estatais'' tiveram a oportunidade de explicar suas posições durante cinco minutos.
O presidente da recentemente criada União Africana (UA), Amara Essy, disse que nos últimos dez anos vários países deram início a planos ambientalistas, mas a expectativa de vida no continente continua sendo baixa e só a metade das cidades africanas tem acesso a água potável.
A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, disse que na década passada o assunto foi mais enfatizado por diferentes países do mundo. ''Não pode haver desenvolvimento sustentável sem direitos humanos e isso é, essencialmente, o que estamos tentando reafirmar aqui em Johanesburgo'', disse.

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