Grupo do Rio prepara cúpula com a UE
Cidade do México, 26 (AE-IPS) - Dirigentes de 14 países da América Latina se encontram sexta-feira e sábado no México para a XIII Cúpula do Grupo do Rio. O propósito é o de preparar a reunião com seus pares da União Européia (UE) e revisar a agenda econômica e social da região. O novo encontro do grupo, criado há 13 anos no Rio de Janeiro como um "mecanismo permanente de consulta e acordo político", objetiva ser o menos formal de sua história e um dos mais produtivos, conforme nota da chancelaria mexicana.
A XIII Cúpula adiantou-se às tradicionais datas de setembro e agosto de cada ano, pois tem pouco tempo para definir posições para o encontro com os 15 dirigentes da UE, programado para os dias 28 e 29 de junho, no Rio de Janeiro. As duas regiões querem que a cúpula de junho permita estabelecer uma agenda comum para superar as assimetrias em matéria de desenvolvimento social e econômico e impulsionar o intercâmbio comercial, que alcança atualmente US$ 80 bilhões anuais.
A reunião do México marcará em grande parte o rumo das futuras relações com a UE, segundo a ministra mexicana das Relações Exteriores, Rosário Green. A UE mantém acordos de cooperação e assistência com a América Latina e Caribe há décadas, e ultimamente busca assinar acordos de liberalização comercial, especialmente com o México e os países que fazem parte do Mercosul.
Durante os anos 90, as exportações latino-americanas e caribenhas para a UE cresceram mais devagar que as destinadas a outras regiões do mundo, enquanto as importações da América Latina e Caribe, procedentes da UE, aumentaram.
Entre 1991 e 1996, as compras da América Latina e Caribe junto à UE cresceram 130% enquanto as exportações para a UE aumentaram apenas 13,4%, segundo o Sistema Econômico Latino-Americano (Sela), organismo de integração regional do qual fazem parte 26 países, e que foi fundado em 1975.
Os estudos do Sela informam que entre 1991 e 1996 a participação da UE no comércio da América Latina se reduziu de 22,6% para 15,9%. Já a presença dos EUA aumentou de 38,3% para 44,8%. A cúpula prevista para junho é uma das metas do caminho iniciado em 1990, quando se institucionalizaram as conversações entre o Grupo do Rio e a UE, o que permitiu realizar até agora oito encontros entre ministros de Relações Exteriores.
Documentos do Grupo do Rio informam que os eixos da relação entre ambas regiões é o aprofundamento da cooperação para o desenvolvimento e o combate ao narcotráfico. Além das relações com os europeus, a cúpula do México também analisará problemas vinculados com a estabilidade dos mercados financeiros internacionais, a democracia e o combate à pobreza.
Os mandatários se propõem a formular propostas que evitem uma recessão mundial e para estabelecer o equilíbrio do sistema financeiro internacional, disse um boletim da chancelaria mexicana. Devem participar do encontro os presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Guiana, México, Panamá, Peru e Venezuela. O Grupo do Rio é resultante da fusão do extinto Grupo de Contadora (México, Colômbia, Venezuela e Panamá) e o Grupo de Apoio a essa organização, do qual faziam parte Brasil, Argentina, Peru e Uruguai.





