Grupo do PT sugere deposição de ex-deputado denunciado por aliciamento
Grupo do PT sugere deposição de ex-deputado denunciado por aliciamento15/Mar, 18:29 Por Wilson Tosta Rio, 15 (AE) - A comissão que investigou a suposta tentativa de suborno de delegados no 18.º Encontro Estadual do PT do Estado do Rio vai propor que o principal acusado no caso, o ex-deputado Ernani Coelho (RJ), seja destituído do cargo no Diretório Regional e tenha os direitos partidários suspensos por seis meses. A proposta de punição contra Coelho vai se basear, entre outras provas, num laudo do Laboratório de Fonética Forense da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, que comprovou ser verdadeira a fita em que o suposto aliciamento foi registrado. Também serão punidos, com penas de advertência, os dirigentes Antônio Neiva e Levi Martins, acusados de revelar o caso à imprensa; os militantes Reginaldo Rosa e André dos Santos que fizeram a denúncia, e coordenadores da Articulação no Estado, tendência de Coelho, que negaram as acusações. A possibilidade de o ex-deputado ser punido ameaça abrir nova crise no PT do Rio. "Se houver alguma punição mais severa para mim que para os outros, nem precisará ser votada: desfilio-me antes", ameaçou ele, que é secretário de Organização da legenda no Rio e foi eleito para mandato no diretório até 2001. O laudo da Unicamp ficou pronto há um mês e é guardado em sigilo pela comissão. Amanhã (16), integrantes do Refazendo vão propor, em reunião da Executiva Regional, que o relatório seja divulgado logo. Os cinco integrantes da comissão, porém, decidiram que só entregarão o trabalho após as 18 horas do dia 26, quando se encerra a prévia que vai escolher, entre o ex-deputado Vladimir Palmeira (RJ) e a vice-governadora Benedita da Silva, quem será o candidato petista à prefeitura do Rio. O objetivo da demora é evitar que o resultado da investigação influa na votação, uma vez que Benedita é da Articulação, e Coelho, um dos coordenadores. O presidente da comissão, José Luiz Fevereiro, negou hoje que haja punições decididas. "Não há ainda nenhuma sugestão de punição prevista pela comissão", disse ele. "Só vamos decidir na terça (21) e na quarta-feira (22) da próxima semana; o relatório ainda não está pronto." A reportagem apurou com dirigentes petistas, porém, que a proposta de punir Coelho e outros (ao todo, seriam 13 petistas) foi tomada informalmente e, agora, está sendo negociada com as diversas tendências em que o partido se divide. O objetivo é tentar um acordo de apoio às punições, que assim, seriam facilmente aprovadas pelo diretório. O escândalo estourou na véspera do 18.º Encontro, quando foram divulgadas gravações feitas por Rosa e Santos, dirigentes do PT em Guapimirim, no Rio. Ligados ao grupo Opção Popular, do presidente regional do partido, deputado Carlos Santana, eles disseram que Coelho teria tentado aliciar os deles votos na reunião, em troca de empregos públicos e dinheiro. A denúncia, veiculada em jornais do Rio e de São Paulo, aumentou a tensão na reunião, onde houve confronto físico entre delegados. Na mesma reunião, o PT resolveu romper com o governo de Anthony Garotinho (PDT), decisão da qual depois recuou. Coelho disse hoje que a fita periciada "é autêntica", mas afirmou que não teve acesso à gravação entregue à imprensa. Ele levantou a possibilidade de o material passado a jornalistas ter sido editado com o objetivo de o incriminar. "Tudo isso faz parte de uma trama com o sentido de destruir a minha história de vida no PT, do qual sou fundador", afirmou. O ex-parlamentar disse ter sido procurado pelos petistas de Guapimirim para discutir propostas de interiorização do PT, e que foi Rosa quem disse estar desempregado e pediu ajuda em dinheiro (400 ou 500 reais) e emprego. "Eu respondi que ia consultar para saber da possibilidade de ele ser nomeado para um cargo no governo", disse Coelho, que negou ter condicionado a ajuda a votos no encontro. Ele declarou que as punições propostas, se confirmadas caracterizarão "uma incoerência muito grande" e afirmou que não fez nada "fora das práticas partidárias". "Quando fui deputado estadual, ajudava a pagar as sedes do PT em vários municípios; hoje, todos os deputados fazem o mesmo", disse. "É claro que cada um ajuda a sua tendência; é um investimento com retorno político; isto aqui é um partido, não uma beneficência."





