Brasília, 22 (AE) - Um grupo de 19 deputados federais do PMDB divulgou hoje um manifesto alegando independência do partido na aliança com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O partido tem 98 deputados na Câmara. "Vamos decidir nosso voto em qualquer projeto enviado pelo governo ou que tramite na Câmara", afirmou o porta-voz do grupo, deputado Zaire Rezende (PMDB-MG). "E estamos firmes na defesa de um perfil renovado do partido."
A dissidência que conquistou 20% do partido foi batizada com o nome Movimento Democrático de Base (MDB) e repete uma tendência pré-constituinte - em que o então MDB era dividido entre os moderados, cujo maior representante era Tancredo Neves, e os autênticos, com Ulysses Guimarães.
"Não temos pretensão de formar um novo partido", frisou Rezende. As lideranças do partido acolheram a iniciativa sem demonstrar preocupação. O presidente do partido, senador Jáder Barbalho (PA), afirmou que a idéia foi "bem recebida". "Acho ótimo, o partido sempre pôde ter suas correntes, democraticamente", disse o líder do partido na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).
Segundo Rezende, a estratégia agora é conquistar adeptos à linha "centro-esquerda do PMDB" no Senado e entre os candidatos a prefeituras na eleição deste ano. Os deputados protestam, no manifesto, contra o "governo de inspiração neoliberal que desnacionalizou a economia, congelou os salários e aprofundou as contradições sociais do País".
Para Vieira Lima, o grupo não veio com nenhuma proposta nova. "O grupo sempre votou diferente nas votações, mas isso não significou nenhuma cisão na base", disse. De acordo com o líder do partido na Câmara, as votações dos projetos de interesse do governo vão continuar seguindo a orientação da convenção do PMDB: "Somos um partido da base de sustentação do governo federal, portanto votamos junto com o governo."
Assinam o manifesto deputados como Rita Camata (ES) e Hélio Costa (MG). A maioria dos parlamentares que assinaram a lista está em seu primeiro mandato, representantes dos Estados de Minas Gerais, Goiás, Pará, Piauí, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Tocantins, Rio Grande do Sul e Maranhão.
Na primeira quinzena de abril, segundo Rezende, os deputados, eventuais senadores, candidatos a prefeituras e militantes da linha "centro-esquerda" do PMDB se reunirão em Brasília para discutir estratégias para aumentar o número de participantes.

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