Marcos Zanatta
De Maringá
Lideranças e membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), voltaram anteontem à noite ao assentamento Luiz Carlos Prestes, em Querência do Norte, ameaçando retirar as famílias assentadas. Na semana passada, o líder do assentamento, Celso Antônio Bakes, foi retirado da propriedade, espancado e levado para Capanema. Segundo os assentados, o MST pretende retirar parte das 42 famílias que já têm até a posse da área.
O movimento estaria disposto a retomar a área depois que os agricultores passaram a se recusar a fazer o repasse de 3% dos recursos liberados para custeio ao movimento.
Ontem à tarde, o grupo tentou impedir a Polícia Militar de deixar a propriedade. Uma viatura havia ido até a área logo após a chegada dos membros do MST. Na saída, os mais de 100 integrantes do movimento tentaram tombar a viatura.
As mulheres teriam identificado um dos coordenadores do MST em Querência, Paulo de Marchi. Os membros do MST ficaram acampados próximo à sede da fazenda.
O coordenador do MST, Roberto Baggio, negou a tentativa de retirar as famílias do assentamento. Segundo ele, o assentamento sedia um encontro regional de avaliação do MST e o planejamento para 2000. Apenas por este motivo as lideranças foram ao assentamento. Conforme Baggio, Bakes foi retirado do assentamento por incentivar a ocupação de uma área de reserva florestal. ‘‘O assentamento está organizado em forma de comunidade, que tem regulamento interno. Ele desrespeitou o regulamento’’, explicou. Baggio afirmou que em nenhum momento houve agressão. ‘‘É uma armação da PM com a TV Globo’’, disse. A prova disso, segundo ele, seria o fato da juíza de Loanda, Elizabeth Khater, tida como inimiga dos sem-terra, ter negado os pedidos de prisão de 12 coordenadores do movimento no processo por sequestro de Bakes.

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