Buenos Aires, 23 (AE-AP) - O prédio da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina foi ocupado hoje (23) por um grupo dissidente de sindicalistas. Eles insistem na realização da greve geral marcada para amanhã.
A paralisação tinha sido suspensa ontem à noite pela cúpula da CGT, medida interpretada como uma vitória do presidente Fernando de la Rúa (da Aliança de centro-esquerda).
Pela manhã, centenas de militantes da CGT, liderados por Hugo Moyano, líder do Sindicato dos Caminhoneiros, fizeram passeata até o prédio da central, que fica na região portuária de Buenos Aires. Eles forçaram a porta e ocuparam o edifício. A CGT é ligada ao oposicionista Partido Justicialista (PJ, peronista), do ex- presidente Carlos Menem.
Os moderados da CGT, liderados pelo secretário-geral Rodolfo Daer, não se encontravam no prédio na hora da ocupação. Estavam no Congresso discutindo com deputados pontos da reforma trabalhista que começa a ser discutida amanhã.
Os moderados, ontem, conseguiram encontro com o ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, com quem costuraram alguns pontos do documento. Dentre eles, conseguiram que não fosse modificado o sistema de arrecadação da contribuição sindical, que continuaria controlada pela CGT. Esta foi a principal razão para recuarem. A medida de força capitaneada por Moyano o qualifica para suceder Daer para secretaria-geral da CGT, em congresso a ser realizado em 16 de março.
O governo de De la Rúa enviou ao Congresso um projeto para modificar a legislação trabalhista do país, datada de 1975. A Casa Rosada quer mudar, dentre outras coisas, o sistema de negociação dos convênios coletivos de trabalho, descentralizando-os para dar maior participação aos sindicatos de fábrica, locais e regionais.
O governo também quer ampliar o período de experiência nas empresas para os novos trabalhadores. A equipe de De la Rúa defende que as reformas facilitarão a criação de novos postos de trabalho e regularizarão a situação de milhões de argentinos que hoje trabalham sem direitos básicos o que acaba permitindo aos patrões não pagarem impostos ao governo.

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