Uma ação audaciosa de criminosos permitiu a fuga de 14 traficantes, na madrugada de ontem, da sede da Divisão de Captura e Polícia Interestadual (Polinter), na zona portuária, no Rio. Eles derrubaram uma das paredes da carceragem, usando duas carretas. Dentro da divisão, o cadeado de uma das celas foi arrebentado. Para o subsecretário de Estado de Segurança Pública do Rio, coronel Lenine de Freitas, a ação foi frustrada pela polícia. Ele acredita que o bando pretendia libertar cinco traficantes ligados ao grupo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. O resgate dos presos ocorreu às 4h15 (veja quadro ao lado).
O buraco aberto a pancadas pelas carretas dava acesso a uma galeria de seis celas, onde estavam 380 presos. De acordo com a polícia, o grupo estava em busca de cinco detentos ligados a Fernandinho Beira-Mar.
A polícia já sabia que traficantes estavam preparando o resgate dos cinco criminosos. Há 15 dias, um suposto integrante do bando ''Robinho'' da Favela Kelson foi preso com um plano de fuga. Na ocasião, o grupo estava detido na Divisão Anti-sequestro. A transferência para a Polinter ocorreu na sexta-feira. Eles ficaram em celas diferentes para dificultar um possível resgate.
Para libertá-los, seus comparsas deveriam abrir várias portas. Mas foram interrompidos após arrombarem a primeira cela, a 15. A polícia revidou e eles tiveram de fugir.
A cela aberta tinha 17 presos - três se recusaram a sair. Os 14 que fugiram tiveram de escapar a pé. O grupo que executou o ataque roubou ainda um táxi na porta da divisão.
A Polinter tem capacidade para cerca de 350 presos, mas tinha 1.129 sob custódia. Não há espaço para todos dormirem nas celas, e parte dos presos acaba sendo alojada nos corredores. A polícia já temia alguma ação como a de ontem, já que havia iniciado uma obra de reforço justamente da parede que foi parcialmente derrubada. O subsecretário Lenine de Freitas negou a fragilidade da estrutura. ''A parede é reforçada, não há nada de frágil. O que houve aqui foi uma ação ousada. O muro que está sendo construído é apenas mais uma segurança'', afirmou.
No fim da manhã de ontem, 150 presos da galeria atacada foram transferidos. Os demais seriam remanejados para outras celas já superlotadas. O bando de Beira-Mar deveria seguir para o Complexo de Segurança Máxima de Bangu. Até o início da tarde, ninguém havia sido recapturado.

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