Grupo deixa área após mais de 3 anos
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Lucinéia Parra 
Cerca de 30 famílias de trabalhadores sem-terra que ocupavam a Fazenda Saudade, em Santa Isabel do Ivaí (78 quilômetros de Paranavaí), desocuparam a área na tarde de anteontem. Conforme informações do proprietário da fazenda José Carlos Mascarelo, os sem-terra deixaram a área depois de um acordo, através do qual, os trabalhadores reivindicaram apenas ajuda para a fazer a mudança.
Eles mesmo disseram que tinham invadido a fazenda porque os líderes do MST haviam prometido que a área seria deles, mas agora que os líderes sumiram deixando os invasores passando fome, eles querem negociar e aceitaram deixar a minha fazenda sem problema, disse Mascarelo.
Além de garantir caminhões para fazer o transporte da mudança, Mascarelo disse que distribuiu 30 cestas básicas às famílias. Ao todo tive que fretar 15 caminhões de transportes e três caminhões boiadeiros para levar os animais que eles (sem-terra) dizem ser deles. As famílias, ainda conforme o fazendeiro, foram levadas para as cidades de origem. A maioria, afirmou Mascarelo, voltou para Querência do Norte e Santa Cruz do Monte Castelo.
Segundo Mascarelo, os sem-terra, que estavam na fazenda há cerca de 3 anos e meio, destruíram um barracão e a mangueira da propriedade. Só em benfeitorias acredito que vou ter que investir R$ 100 mil para recuperar o que eles destruíram, disse.
A Fazenda Saudade foi alvo dos trabalhadores sem-terra pela primeira vez em agosto de 1995. Na época, cerca de 200 famílias ocuparam a fazenda que tinha sido considerada improdutiva pelo Incra. Algumas semanas depois, por força de uma liminar da Justiça concedendo reintegração de posse ao proprietário, os sem-terra deixaram a área e montaram acampamento nas margens da PR-218. Em novembro do mesmo ano, o Departamento de Estrada e Rodagem (DER) conseguiu liminar para retirar os sem-terra das margens da rodovia, e eles acabam voltando para dentro da fazenda.
Poucos dias depois, ainda no mês de novembro de 1995, a PM montou um esquema de retirada dos sem-terra. As famílias resistiram e a operação acabou deixando 15 trabalhadores sem-terra e seis policiais feridos. Depois do confronto com a polícia, os sem-terra ficam em uma área da prefeitura, mas em fevereiro de 1996, retomam pela terceira vez a fazenda.
No dia 16 de agosto de 1996, os fazendeiros retiraram as 45 famílias de sem-terra que ainda insistiam em permanecer na área, e queimaram seus barracos. No dia seguinte, 400 trabalhadores sem-terra de Querência do Norte, que haviam iniciado uma marcha até Curitiba, invadiram a área pela quarta vez. Boa parte dos trabalhadores seguiu para Curitiba, mas as 45 famílias continuaram na Saudade.


