Teerã, 13 (AE-ANSA) - Para seus oponentes, os vigilantes linha-dura do Ansar-e Hizbollah (Seguidores do Partido de Deus) podem ser um obscuro grupo policial paralelo fazendo o "trabalho sujo" para a polícia secreta ao atacar os manifestantes pró-democracia.
Mas, para seus partidários, muitos deles veteranos da guerra Irã-Iraque (1980-88), esse fervoroso grupo xiita é um movimento dedicado a preservar os ideais revolucionários pelos quais muitos de seus camaradas perderam a vida no front.
O líder mais visível do Ansar, Hossein Allahkaram, é um ex-oficial dos Guardiães da Revolução conhecido por sua inflamada retórica. Mas ele também sabe falar manso e até em tom de desculpa por não ter caído como mártir na guerra, como seus amigos.
O Ansar é um dos grupos originários das gangues do Hizbollah estabelecidas por clérigos linha-dura na escalada para a Revolução Islâmica de 1979, para conter os esquerdistas. No contexto interno iraniano, o Hizbollah representa zelosos muçulmanos frouxamente organizados, que são a base do Estado islâmico.
O Ansar, um nome que costuma ser usado genericamente como referência a todos os grupos radicais, tem, nos últimos anos, atacado com frequência encontros de dissidentes e moderados e agredido intelectuais que criticam o regime. Seus vigilantes, que aparentemente agem em coordenação com membros dos serviços secretos, raramente têm de prestar contas pelos ataques.
Muitos iranianos acreditam que as organizações de vigilantes, que costumam ser elogiadas por clérigos linha-dura, desfrutam o apoio de poderosas figuras do establishment clerical conservador.
Os conservadores ainda controlam setores-chave do poder - incluindo a polícia, as agências de segurança e as Forças Armadas -, apesar da esmagadora vitória do moderado Mohammad Khatami na eleição presidencial de 1997.
Khatami, que tem defendido o império da lei como a principal característica de suas reformas, tem tido pouco êxito em conter o Ansar. Uma rara exceção foi a prisão de três vigilantes em janeiro pelo espancamento de dois importantes membros liberais do gabinete de Khatami.
Apesar desse revés, o Ansar continua recrutando jovens entusiastas, geralmente em bairros pobres, graças a sua romantização do combate e à sedução de um movimento cujos membros andam de moto pelas ruas fazendo o que querem, sem ser punidos.

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