Grupo de mulheres garante alimentos a 1,5 mil famílias
Marcos Zanatta
De Maringá
As donas de casa do Conjunto Record, que distribuem cestas de alimentos para as famílias carentes dos bairros próximos, querem ajuda para melhorar as condições de trabalho. Formado há dois anos, o grupo de voluntárias, sem ligações com entidades ou igrejas, começou a recolher a sobra de hortifrutigranjeiros de supermercados e repassar os alimentos para 20 famílias.
Começamos com cara e a coragem e hoje estamos atendendo 1.470 famílias. Mas queremos mais, diz uma das voluntárias, Maria Tereza Garcia Cordeiro. Ela disse que já pediu para a prefeitura doar um barracão desocupado no bairro e quer também ajuda para o combustível. Nosso maior obstáculo é transportar os produtos para cá, diz.
Todos os dias, em uma casa sem cobertura do bairro, as voluntárias recebem as caixas com frutas, legumes e verduras. Aproveitamos tudo, diz Maria Tereza. Todos os produtos são separados e lavados antes da distribuição. Entre 70 e 80 famílias recebem por dia uma cesta com cerca de 10 quilos de alimentos variados. Algumas famílias buscam a cesta até três vezes por semana.
A gente organiza tudo para não perder alimentos, explica Maria Tereza. As famílias chegam na casa no início da tarde, recebem senha e em seguida os alimentos. A sobra, o que não tem mesmo condições de consumo, é doado para famílias que tem criação. Maria Tereza calcula que famílias de pelo menos 10 bairros da região buscam as cestas.
Antes, os supermercados jogavam tudo fora e agora matam a fome de muita gente. Maria Tereza conta que ainda se emociona quando vê uma criança comendo uma fruta. Muitas nunca tinham comido uma maçã. O barracão que o grupo quer pertence à prefeitura e poderia melhorar o trabalho das voluntárias. Aqui na casa é muito perigoso por causa das crianças na rua e também porque chove dentro.





