Grupo de Maia pretende se opor à intervenção do PFL no Rio
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 11 (AE) - Os mencheviques estão de volta -e, quem poderia imaginar, no liberal PFL. Nome da ala moderada do Partido Operário Social-Democrata Russo no período anterior à Revolução Soviética de 1917, a denominação está sendo ironicamente assumida pelo grupo pefelista liderado pelo ex-prefeito Cesar Maia, que se reúne amanhã (12) para discutir seu futuro. O mais provável é que os mencheviques pefelistas resolvam constituir, dentro da legenda, um agrupamento para se opor à "intervenção branca" da cúpula nacional do partido no diretório carioca e à candidatura do prefeito Luiz Paulo Conde à reeleição.
Maia tem defendido a tese de que o PFL só cresceu na Região Sudeste depois que aposentou a prática mais conservadora e passou a defender propostas "social-liberais e social-democratas". Foi isso que, em sua avaliação, levou para o partido o governador do Paraná, Jaime Lerner, que se elegera para seu primeiro mandato pelo PDT. O ex-prefeito acha que, com atitudes como a intervenção, os pefelistas correm o risco de voltar a se isolar à direita do quadro político e, assim, prejudicar suas chances na eleição presidencial de 2002, voltando ao papel de coadjuvantes do PSDB.
A reunião avaliará a convenção do último sábado, em que uma chapa de 45 dirigentes municipais (15 pró-Maia, 15 pró-Conde e 15 escolhidos por deputados) foi eleita. Essa composição foi imposta pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e outros membros da cúpula nacional do PFL. Fez parte da intervenção branca a eleição do deputado Rubem Medina para a presidência. Ele e outros três membros da Executiva são "neutros", dois são "cesaristas", e dois, "condistas". Tanto Maia como Conde querem concorrer à prefeitura em 2000. O prefeito foi à convenção cercado de 40 lutadores de artes marciais.
História - Os mencheviques (em russo, membros da minoria) eram socialistas moderados, partidários da transição pacífica para o socialismo. Eles se opunham aos bolcheviques ("integrantes da maioria"), liderados por Lênin e auto-denominados "Partido Comunista", defensores da revolução armada. Partidários da moderação, os mencheviques, na revolução de 1905, diziam que o movimento deveria ser dirigido pela burguesia e, em 1917, se opuseram ao radicalismo e à insurreição. Segundo eles, a Rússia ainda não estava preparada para o regime socialista.


