Grupo de extermínio preso no PR
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma megaoperação, desencadeada pelas polícias Federal e Civil do Paraná durante quase todo o dia de ontem, resultou na prisão de 32 pessoas, a maioria policiais militares, que seriam integrantes de uma quadrilha de extermínio, com ação em Curitiba e Região Metropolitana. Também foram presos advogados, empresários e assaltantes. Além de atuar como grupo de exterminínio, os presos são acusados de envolvimento em tráfico de drogas e de armas, roubo a estabelecimentos comerciais, transporte de valores e veículos e, ainda, de organização de milícias contra sem-terra.
A operação, batizada de ''Tentáculos'' pela Polícia Federal (PF), começou por volta de 4 horas da madrugada, depois que cerca de 300 policiais federais de vários estados chegaram à Capital em dois aviões Hércules do Exército para dar reforço à ação. Ao todo, 400 policiais federais e civis em 90 viaturas cumpriram 31 mandados de prisão e 83 mandados de busca e apreensão.
Durante toda manhã, a movimentação foi intensa na Delegacia de Homicídios, situada no centro de Curitiba. A todo momento chegavam equipes de policiais trazendo presos e materiais apreendidos nos locais revistados. Todo material encontrado, entre documentos, computadores, entorpecentes e armas foi encaminhado para o local. Vários carros também foram levados para a frente da delegacia, com suspeita de que teriam sido roubados.
De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a operação partiu de um pedido do governador Roberto Requião ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A quadrilha começou a ser desmantelada, segundo o secretário Luiz Fernando Delazari, a partir das investigações sobre o assasinato do major Pedro Plocharski, que aconteceu em janeiro deste ano. O major, que era subcomandante do 13º Batalhão da PM, localizado no bairro Capão Raso, foi morto porque já teria descoberto a existência de uma organização criminosa formada por policiais militares lotados no 13º BBP e que agia na região Sul da Capital.
Entre os presos, estão o ex-tenente Alberto da Silva Santos, reconhecido como o autor dos disparos contra o major Plocharski, e o ex-soldado Moacir Possami Girardi, apontado como motorista do Golf, no momento da execução. Os soldados Sandro Delgobo e Arilson de Lima da Cunha, também presos, foram apontados como informantes da quadrilha sobre o cotidiano do major. Cunha foi quem teria comunicado por telefone o horário de saída de Plocharski do quartel, no dia de sua execução. O carro Golf placas IKF 6181, de cor verde, que teria sido usado para matar o oficial, foi apreendido ontem na residência de um dos presos.
O ex-tenente Alberto Santos cumpre pena na Colônia Penal Agrícola em regime semi-aberto. Nas saídas da penitenciária, estaria atuando junto à quadrilha. Foi em momento de liberdade, que foi preso novamente ontem. Também foi preso o sargento Ademir Leite Cavalcanti, acusado de ligação com o traficante ''Sky''. Cavalcanti atuava, ainda, como advogado de outros policiais militares, envolvidos com o assassinato do major. Segundo a polícia, Cavalcanti procurava as testemunhas oculares do crime que vitimou o major para constrangê-las e obter detalhes sobre os depoimentos.
Santos e Cavalcanti são acusados de serem responsáveis pelo incêndio, em dezembro de 2000l, na Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), e que atingiu documentação sobre vários crimes no Estado (leia mais nesta página).
Eder Cont, acusado de tráfico, também foi preso durante a operação. Cont, que atuava na região da Vila Nossa Senhora da Luz, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), era acusado de ter assassinado uma mulher chamada de ''Ervinha do Pó'', que dominava o tráfico naquela região, para ocupar o seu lugar na venda de drogas. (Colaborou Vania Casado)


