Rio, 27 (AE) - A disputa pela hegemonia no diretório municipal do PFL do Rio está longe de terminar. Hoje de manhã, a reunião entre o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen, e o prefeito carioca Luiz Paulo Conde acabou em impasse. Vereadores e deputados ligados a Conde, que participaram do encontro, não aceitaram a proposta de Bornhausen de mudar a composição do diretório para resolver a disputa interna.
A eleição do novo diretório do PFL carioca, ocorrida em março, dividiu as bases do partido em dois grupos: os condistas, alinhados ao atual prefeito, e os cesaristas, correligionários do ex-prefeito César Maia, padrinho político de Conde. Os cesaristas não aceitam a composição do atual diretório, que dá maioria ao prefeito, formado pelos deputados federais Rubem Medina e Laura Carneiro, presidente e vice, e vereadores condistas.
A proposta de Bornhausen é a de manter Medina e Laura em seu cargos e substituir os vereadores pela bancada de deputados federais eleitos na cidade, entre eles Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito, e Rodrigo Paes, também do grupo de Maia. Pela proposta do senador, o único vereador que ficaria no diretório seria a líder do governo da Câmara, Rosa Fernandes, ligada à ala condista. "Nós já não temos influência nas executivas nacional e regional do PFL, não vamos, agora, abrir mão do nosso poder no diretório municipal", afirmou Rosa.
Apesar da recusa dos vereadores à sua proposta, Bornhausen não acredita em impasse dentro do PFL do Rio. "Vamos encontrar um bom caminho, estou convicto", disse. "Há um diálogo, fui muito bem recebido, mas ainda estamos conversando." Já Conde afirmou buscar a "conciliação" dentro do partido, mas alegou que não poderia tomar nenhuma decisão sem antes consultar o grupo que o apóia - justamente os vereadores e deputados que se recusaram a aceitar a proposta de Bornhausen.
O prefeito do Rio disse que procurou Maia quatro vezes desde janeiro, mas o ex-prefeito não lhe retornou. "Nosso objetivo é fortalecer o PFL para as eleições de 1998", afirmou. "Espero que o César Maia reflita." O padrinho político de Conde, porém, disse que a divisão do diretório já faz "parte do passado". "Pelo o que eu sei, não cabe aos vereadores aceitar ou não a proposta de Bornhausen, até porque ela (a proposta) é uma decisão já tomada pela executiva nacional do partido, e decisão não se discute, cumpre-se", afirmou. "Não adianta agora ficar mordendo o dedo ou roendo a unha."

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