Grupo de assaltantes toma sete reféns na Secretaria da Fazenda; PM é ferido
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 10 (AE) - Marcos dos Santos Vieira, de 29 anos, saiu hoje de manhã da cadeia para trabalhar. Preso no regime semi-aberto da Penitenciária de Franco da Rocha, ele tinha esse direito, mas devia retornar à noite. Mas, por volta das 8h40, ele e pelo menos outros quatro homens invadiram o prédio da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda Pública, tentaram roubar a agência do Banespa, trocaram tiros com a polícia, balearam um sargento e fizeram sete reféns, um dos quais fugiu em meio aos tiros. Dois bandidos escaparam. Vieira e dois outros acusados foram presos.
"Eu tirava de um a dois salários trabalhando com a minha mãe como ajudante de costura; de salário ninguém vive", afirmou Vieira. "Um dia eu ganho de novo a liberdade; não nasci na cadeia." Os reféns passaram pouco mais de três horas em poder de dois dos assaltantes, um deles Vieira, fechados dentro do box de um banheiro, um cubículo de 1,20 metro de cumprimento por 80 centímetros de largura.
O prédio da secretaria, na Avenida Rangel Pestana, a menos de cem metros da Praça da Sé, no centro de São Paulo, foi cercado por pouco mais de cem policiais civis e militares. Vieira e um outro bandido mantiveram-se calmos enquanto negociavam a libertação dos reféns. "Eles diziam para a gente que só estavam fingindo estar bravos para que a polícia atendesse o que eles queriam", disse Letícia Romualdo Silva, de 19 anos, funcionária da Secretaria.
Os bandidos, todos bem vestidos, chegaram ao prédio armados com revólveres e pistolas. Sacaram as armas na agência, que fica no 2.º andar do prédio, para assaltá-la. Um funcionário da secretaria viu e chamou a polícia. Assustados com as sirenes, os criminosos saíram da agência sem pegar dinheiro e tentaram escapar pela escada. "Nós estávamos entrando e eles atiraram", disse o soldado Sílvio Fernandes de Souza Melo.
Um dos bandidos pulou do 1.º andar, mas foi apanhado na rua. "Ele estava com um revólver calibre 38", disse o delegado Alberto Pereira Mateus, da Delegacia de Roubo a Bancos. Outros dois subiram a escada. No 4.º andar, entraram no banheiro masculino e fizeram três reféns. Levaram-nos ao banheiro feminino, onde tomaram mais uma mulher e dominaram outras três que entraram em seguida no banheiro. Os bandidos obrigaram todos a se esconder em dois box do banheiro. No primeiro, um ladrão e quatro reféns, os demais, no outro.
"Um PM chegou e perguntou quem estava ali; o bandido mandou eu responder e eu falei que tinha gente", afirmou Letícia. Segundo ela, o policial foi embora, mas, pouco depois, outro apareceu. Este, olhou por cima da divisória do box e quase foi baleado na cabeça pelo bandido. Seguiu-se um tiroteio dentro do banheiro, no qual o sargento Luiz Claudio Guidini, do 7.º Batalhão da PM, foi atingido no braço. Um refém aproveitou a confusão e escapou.
Depois do confronto, os bandidos entraram em um box e trancaram-se com seis reféns, três homens e três mulheres, no cubículo. Homens do Grupo de Operações Especiais da PM (Gate), do Grupo Especial de Resgate (GER) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), estes da Polícia Civil, cercaram o local. Com capacetes, fuzis e coletes à prova de bala
os policiais ficaram na porta do banheiro. Dentro, dois delegados e dois capitães da PM.
"Eu passava água para os reféns enquanto tentávamos convencer os ladrões", disse o capitão Sérgio Olímpio Gomes. Os bandidos queriam a presença de jornalistas, de seus parentes e de um advogado para que se rendessem. Às 12h05, os criminosos entregaram suas duas armas, pistolas calibre 380 - semelhante ao calibre 9 milímetros. Vieira e seu companheiro, Roberto da Rocha Santos, de 21 anos, foram levados para a Delegacia de Roubo a Bancos.
Os dois e o terceiro bandido foram autuados em flagrante por tentativa de roubo e de homicídio (do policial militar). O acusado apanhado na rua tinha em seu poder uma identidade falsa. Seu nome verdadeiro é Erivaldo Félix e ele estava sendo procurado pela Justiça. Por causa do roubo, o expediente foi suspenso no prédio da Secretaria, exceto no gabinete do secretário. Cerca de 2.500 funcionários trabalham no edifício .


