Rio, 28 (AE) - Um grupo de cerca de 60 manifestantes - liderados por integrantes mascarados do movimento anarcopunk - tentou furar o bloqueio armado pela Polícia Militar no fim da Avenida Rio Branco, no centro do Rio, e invadir o Museu de Arte Moderna (MAM), sede da Cimeira, no início da noite de hoje. O grupo de manifestantes fazia parte do ato de protesto contra o governo federal realizado na Cinelândia pelo Fórum de Luta por Soberania, Terra, Trabalho e Cidadania, do qual participam partidos de esquerda e entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e União Nacional dos Estudantes (UNE).
A operação da PM para conter o protesto foi rápida. Com o apoio de um helicóptero do Exército, cerca de 80 policiais da Batalhão de Choque, com cassetetes e escudos à prova de bala, impediram a passagem dos punks e sindicalistas. A Avenida Rio Branco, uma das principais vias da cidade, foi fechada por carros e ônibus da PM.
Por volta 18 horas, o grupo de mascarados começou a reivindicar a invasão do MAM, protesto que havia sido descartado pela direção do Fórum.
"Eira, eira, eira, vamos à Cimeira", gritavam, em coro
os manifestantes. Depois de impedidos pelos policiais, eles mudaram o discurso para: "Polícia, fascista, covarde e imperialista" e "Fora repressão, liberdade de expressão". "A correlação de forças está desigual, isso é um absurdo", disse o diretor do Sindicato dos Bancários, Jaly Menezes. "Não existe direito de expressão com a PM do governador Garotinho", afirmou. Um integrante do movimento anarcopunk, que não quis se identificar, disse que o ato seria apenas para "botar a polícia para trabalhar".
Apesar da insistência dos manifestantes, os policiais conseguiram dispersar o protesto em 20 minutos. O coronel Egberto, que chefiava a operação, não quis dar declarações. Durante o ato, foi queimada um bandeira norte-americana. Ninguém ficou ferido.
Na Cinelândia, o protesto reuniu cerca de 500 manifestantes, segundo avaliação da CUT do Rio. "Esse ato é uma denúncia da política entreguista de FHC (presidente Fernando Henrique Cardoso) ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e uma amostra de nossa solidariedade a Cuba, contra o embargo dos EUA e o imperialismo", declarou o presidente da CUT do Rio, Alcebíades Teixeira, o "Bid".

mockup