Grupo de 500 pessoas
tenta saquear convento
Adelson Barbosa
Agência Folha
Cerca de 500 pessoas da periferia de Princesa Isabel (400 km de João Pessoa), município localizado na região da seca na Paraíba, tentaram saquear anteontem à tarde o Convento São José, pertencente aos frades da Ordem dos Carmelitas de Recife. O agricultor Antonio Luís da Silva, 27 anos, foi preso pela Polícia Militar, acusado de incentivar atos de vandalismo durante a tentativa de saque. Segundo o tenente Jurandy Pereira Monteiro, Silva ‘‘chutava o portão do convento no momento em que a PM chegou ao local. O agricultor foi solto ontem pela manhã, segundo o tenente.
As pessoas souberam que o convento tinha recebido 3 toneladas de alimentos da paróquia de Piedade, em Recife, e ameaçaram praticar o saque. De acordo com o vigário de Princesa Isabel, frei Luciano Santos Andrade, que mora no convento com outros quatro frades, a multidão gritava que estava com fome e que queria comida. ‘‘Todos estavam muito agressivos. Muitas crianças estavam desesperadas. Tivemos que antecipar a distribuição’’, disse.
Segundo frei Luciano, os alimentos chegaram a Princesa Isabel no domingo e seria distribuídos até sexta-feira. Antes da tentativa de saque ao convento, houve também uma tentativa de ataque a depósitos de merenda de cinco escolas e de uma creche de Princesa Isabel.
Segundo a PM, a multidão tentou invadir a Escola Estadual de 1º e 2º Graus Ministro Alcides Carneiro, no horário de aula. ‘‘Tivemos que formar um cordão de isolamento e retirar as crianças da escola, disse o tenente. Segundo ele, a diretora de ensino estadual da região de Princesa Isabel, Vilma Lima e Rosa, evitou o saque ao determinar a distribuição de 720 quilos de alimentos da merenda escolar que estavam estocados em três escolas estaduais.
Em seguida, as pessoas se dirigiram para a creche da cidade, onde nada encontraram. Depois, foram para uma escola municipal, de onde levaram, por determinação da direção, 70 quilos de sal. Na escola municipal, não existiam outros gêneros além do sal. ‘‘Foi um movimento repentino. Quando cheguei às escolas com o reforço policial, o tumulto estava formado’’, disse o tenente, que ontem à tarde coordenaria uma reunião com o prefeito, o juiz e o promotor de Princesa Isabel para discutir formas de como evitar os saques e identificar os líderes.

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