João Pessoa, 13 (AE) - O grupo de cerca de 300 soldados, cabos e sargentos da Polícia Militar da Paraíba que acampou em frente do palácio do governo, desde terça-feira (07), na Praça João Pessoa, em João Pessoa, será considerado desertor, se não comparecer até quarta-feira (15) aos batalhões militares localizados na capital paraibana e no interior do Estado.
"Nossa tolerância tem limite", afirmou o comandante da PM, coronel Ramilton Cordeiro. O comandante da PM espera tão somente a relação dos nomes dos faltosos para assinar portaria, excluindo da polícia todos os "amotinados" e, em seguida, enviar o processo de deserção para a auditoria militar.
Cordeiro disse que os participantes do movimento desafiam a Justiça, mas lembrou que nenhum grevista foi preso até agora.
O impasse entre a PM e o governo pode estar perto do fim. Uma pauta mínima elaborada pelo governo prevê a incorporação da verba de alimentação no contracheque, o pagamento de horas extras e a compra de equipamentos para a corporação. Um soldado da PM paraibana recebe um soldo básico de 136 reais, mais gratificações, totalizando uma remuneração de cerca de 300 reais por mês.
Mas a principal reivindicação dos grevistas se refere ao escalonamento vertical, uma lei aprovada em 1997 pela Assembléia Legislativa e contestada na Justiça pelos militares. O escalonamento prevê um porcentual de 100% a 22% sobre o soldo básico do militar, mas os soldados, cabos e sargentos entendem que o cálculo abrange toda a remuneração, até mesmo as gratificações.
Cordeiro considerou "justas" as reivindicações dos militares, mas condenou os atos de provocação dos "amotinados"
que fazem piquetes nos postos de gasolina onde a frota de carros militares abastece de combustível. Soldados são arrancados dos carros e obrigados a participar do movimento. "Isso é intolerável", disse o comandante.
Já o secretário de Comunicação Social, Luiz Augusto Crispim, disse que ninguém pode acusar o governo de imobilismo. "A pauta mínima elaborada pelo governo reflete o nosso interesse em acabar o movimento", disse o secretário. Para o líder dos grevistas, sargento Onildo Rodrigues, o governo só faz ameaçar e não cumpre nada do que promete. "Estamos fartos de boas intenções", disse Rodrigues.
Quarta-feira, às 15 horas, os militares acampados na Praça João Pessoa sairão em passeata pelas principais ruas da capital e farão um ato público no Parque Solon de Lucena. "Nossas mulheres e filhos, que passam fome, estarão ao lado de seus maridos e filhos militares", desafiou Rodrigues.

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