A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal critica a estadualização da reforma agrária. Para os deputados que compõem a comissão, os governos estaduais não possuem estrutura para fiscalizar e realizar o processo com isenção. ‘‘O que dirá desse governo, onde o setor privado se mistura com o público’’, critica o deputado federal, Fernando Gabeira (PV-RJ).
Gabeira considera que a estadualização foi uma proposta para interromper o processo agrário brasileiro. ‘‘A indicação de pessoal local implica em maior alcance da pressão interna’’, avalia o deputado federal José Genoíno (PT-SP). Segundo ele, os ruralistas sempre terão mais força sobre o governante regional, em vez de um indicado de outro Estado. ‘‘Se hoje, com a pressão, consegue-se derrubar representantes do Incra, imaginem o que acontecerá com o indicado do governador, que precisa de apoio’’, diz.
Para o deputado federal paranaense padre Roque Zimmermann (PT), outro ponto negativo é a falta de recursos. ‘‘Alguns Estados estão sem dinheiro e não conseguiram realizar as vistorias e a compra dos lotes, como estabelece o convênio com o governo federal’’, diz.
Quanto ao Paraná, o deputado afirma que o governo Jaime Lerner não tem capacidade de implementar um processo agrário. ‘‘Este governo não iria morder a sua própria pele e implantar uma reforma agrária séria’’, diz o deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT).
No entanto, a Secretaria de Assuntos Fundiários diz que está planejando um projeto de reforma agrária estadual. Por enquanto, o governo estaria estudando o projeto e não tem data de apresentação do novo sistema.

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