Grupo criminoso é suspeito de lesar investidores de bitcoins em seis estados


Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

Investidores do Paraná, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Bahia foram vítimas de um golpe aplicado por uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil do Paraná. Nove pessoas foram presas em operação realizada nesta quinta-feira (5).



Grupo criminoso é suspeito de lesar investidores de bitcoins em seis estados
Divulgação/Polícia Civil
 



Ao todo, 62 mandados de prisão temporária, busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de veículos foram expedidos pela Justiça. Os mandados foram cumpridos nas cidades de Curitiba, Pinhais e Piraquara (ambos na Região Metropolitana de Curitiba), Pontal do Paraná (litoral) e em São Paulo (SP).




Conforme investigação da Polícia Civil, a empresa não possuía sede física e só operava por meio de redes sociais oferecendo investimentos em bitcoins (moedas virtuais). O grupo atua em Curitiba desde o início de 2018. Porém, os primeiros boletins de ocorrência foram registrados em 2019, inclusive por parentes de integrantes da organização criminosa.


“Diversos familiares dos investigados vieram na delegacia com valores altos investidos - R$ 200 mil, R$ 100 mil - alegando que, na verdade, não existia investimento algum”, ressaltou o delegado responsável pela Delegacia de Estelionato em Curitiba, Emmanoel David. Segundo ele, o modelo era semelhante ao esquema de pirâmide.


“Em um primeiro momento, as vítimas acreditavam que estavam fazendo investimentos em criptomoedas. Era um investimento muito lucrativo que oferecia ganho de 3% a 4% ao dia em juros compostos. Já é difícil no mercado financeiro nós conseguirmos 3% ou 4% ao mês, ao dia então é um negócio da China”, alertou o delegado.


Os futuros investidores eram convencidos por meio das redes sociais e da internet. As denúncias vieram à tona depois que a empresa anunciou que bloquearia todos os valores para saque a partir de abril deste ano. Entre as vítimas há pessoas que refinanciaram ou venderam imóveis e veículos e até realizaram empréstimos de olho na promessa de lucro.


“De acordo com os dados dos investigadores, houve uma movimentação bancária feita pela organização criminosa de, aproximadamente, R$ 150 milhões. Entraram efetivamente nas contas dos investigados R$ 70 milhões. Com a promessa de juros de 3% ou 4% ao dia, as equipes de investigação chegaram a uma expectativa de valor aproximado que, se eles fossem pagar hoje todos os investidores, teriam que pagar, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão, o que é totalmente impossível, inviável e mostra que se trata de um estelionato e não de um investimento real de uma empresa séria”, detalhou o delegado.


Parte dos R$ 70 milhões identificada nas contas dos integrantes do grupo foi encaminhada para uma empresa em São Paulo. O dinheiro também foi utilizado na compra de carros e imóveis que foram apreendidos para viabilizar um possível ressarcimento às vítimas. Ao todo, 12 veículos foram apreendidos durante a operação.


A polícia também investiga se houve transferência de valores para contas no exterior. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 80 milhões das contas dos investigados e de empresas supostamente envolvidas na aplicação do golpe.


Ao menos 500 vítimas já foram identificadas nos seis estados, mas cerca de 4 mil contratos foram encontrados durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Pessoas lesadas em outros estados devem registrar boletins de ocorrência. Os documentos serão encaminhados para a Delegacia de Estelionato em Curitiba.


Aproximadamente, 50 policiais participaram da operação com o apoio de 20 viaturas e o helicóptero da Polícia Civil. Além das nove pessoas presas, duas estão foragidas. Um dos procurados é o representante da empresa. O grupo criminoso é investigado por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular.


(Matéria atualizada às 13h50)


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