Grupo combaterá corrupção com ataque a financiamento eleitoral
presidente do Instituto Ethos - Empresas e Responsabilidade Social, um dos articuladores da Transparência Brasil. "Nos Estados Unidos, há hoje um movimento muito forte pelo financiamento público de campanhas", exemplifica. O grupo brasileiro é formado por cerca de 50 pessoas e organizações não-governamentais, entre elas o Ethos e o Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE). Assim que consolidarem a Transparência Brasil - cujo estatuto está prestes a ser registrado -, o movimento deve ser lançado. "Vamos tentar avançar além da lei contra a corrupção eleitoral, uma iniciativa popular apoiada diretamente por 1 milhão de pessoas", afirma Eduardo Capobianco, vice-presidente de Economia do Sinduscon-SP. A Transparência Brasil vai também formular propostas de políticas públicas contra o sistema de propinas. "Queremos mostrar como a corrupção prejudica o cotidiano das pessoas, como a crise da Febem, o desemprego e a violência das ruas têm a ver diretamente com ela", afirma Grajew. "Vamos demonstrar que o alto desenvolvimento humano tem a ver com baixa corrupção." O grupo brasileiro também quer buscar a experiência de outros países, e planeja até uma rede de intercâmbio na América Latina. O Brasil, diz Capobianco, está "exportando" a legislação sobre licitações públicas. "Conseguimos estabelecer que o Estado pague os prestadores de serviços em ordem cronológica, impedindo que uma ou outra empreiteira receba antes, mediante pagamento de porcentagens", lembra ele. Por conta desta legislação, diz Capobianco, o orçamento do Anel Viário da Grande São Paulo caiu pela metade.Por David Moisés São Paulo, 1 (AE) - O financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas é a base de uma ampla cadeia de corrupção política, e a Transparência Brasil quer atacar a raiz do problema com uma ação nacional pelo financiamento público a todas as candidaturas. Esta será a primeira grande mobilização do braço brasileiro da Transparency International (TI), organização mundial de combate à corrupção. A idéia é eliminar as doações aos políticos para evitar que eles se tornem devedores das empresas que os financiaram. "Os políticos eleitos já assumem seus cargos devendo favores aos empresários que bancaram suas campanhas", justifica Oded Grajew





