Londrina - Policiais civis prenderam ontem pelo menos seis membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), durante operação realizada em Londrina e Ibiporã, na região metropolitana. As quadrilhas praticavam crimes como tráfico de drogas, roubo e furto de veículos.
Durante a operação foram cumpridos 15 mandados de prisão e 11 de busca e apreensão. Duas pessoas seguem foragidas da Justiça. Entre os detidos está a advogada criminal Samara Cristina Monteiro Pinheiro, de 37 anos. A reportagem tentou contato com o advogado de defesa dela, Vinicius Coutinho, mas ele não respondeu os vários pedidos de entrevista.
Ela foi presa ontem de madrugada no próprio apartamento, na Gleba Palhano, zona sul. ''Existe informação fidedigna que ela participava como advogada do grupo, intermediando negociações, se intitulava como advogada do PCC. Ela ajudava na entrada de celulares dentro de presídios. Temos informações concretas que ela recebeu uma quantidade de substância entorpecente como honorários advocatícios'', explicou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Márcio Vinícius Amaro.
No escritório dela, localizado na Rua Uruguai, no centro de Londrina, foram apreendidos vários materiais. ''Recolhemos um jornal com resquícios de maconha, notebook e pendrives, que esperamos identificar mais conversas com traficantes. Havia também dois celulares prontos para serem enviados para presídios de Londrina'', afirmou o delegado Edgard Soriani.
O marido da advogada, Paulo Henrique Pinheiro, de 26 anos, também foi detido. Ele é suspeito de tráfico e associação ao tráfico de drogas. ''Temos informações que ele também se passava por advogado'', disse o delegado. ''Prefiro me manifestar apenas em juízo'', declarou Pinheiro, que havia sido preso há alguns meses por receptação. Ele estava com um veículo roubado. A investigação deste crime ajudou a polícia a chegar até a quadrilha.
Autuações
A quadrilha teria núcleos distintos. Um seria especializado no tráfico de drogas e se concentraria no Conjunto Novo Amparo (zona norte). Quatro mandados de prisão foram cumpridos no bairro, três pessoas eram de uma mesma família.
O líder desse grupo, de 37 anos, está foragido, mas irmãos dele foram detidos - Osvaldo José dos Santos Filho e Rosangela Silva dos Santos, respectivamente de 23 e de 34 anos. ''Vou ter que pedir autorização ao juízo da 5 Vara Criminal, para obter as interceptações telefônicas e todo o conteúdo desse inquérito. Meus clientes negam qualquer ligação no evento delitivo'', disse o advogado Marcelo Gaya.
Os supostos braços direitos do traficante também foram presos: Lucas Eduardo de Souza Cairuz, detido no mês passado, e sua mulher Juliana Inocêncio, ambos de 21 anos. ''Ainda não tive acesso aos autos, mas inicialmente vou tentar a revogação (das prisões). Ela está grávida e o Código Penal determina que a partir do sétimo mês (de gestação), a mulher tem que cumprir a medida cautelar de forma domiciliar. Nossos presídios não têm condições mínimas de atender uma gestante'', adiantou o advogado Marcelo Camargo.
Essa quadrilha também teria ramificações em Ibiporã, onde três pessoas foram detidas e uma tentativa de latrocínio desvendada. ''Esse núcleo de Ibiporã estava relacionado com alguns roubos monitorados aqui pela 10 SDP. Temos informações que veículos estavam sendo trocados ou comercializados com traficantes. Esses automóveis muitas vezes são levados para Guaíra'', disse o delegado Márcio Amaro. Entre os acusados está o filho da própria vítima do roubo ao caminhão de cargas em Ibiporã.
A outra quadrilha seria especializada em roubo e furto de veículos em Londrina. O setor de investigação afirma que o grupo consumou cinco roubos de automóveis só nos últimos dias. ''Temos dados que comprovam pelo menos um roubo por dia. Estima-se que eles estavam por trás de pelo menos 40% dos roubos ou furtos de veículos em Londrina'', afirmou o chefe do setor de Furtos e Roubos da 10 SDP, Marcio José Ilkiu.
O grupo utilizaria adolescentes e um outro inquérito deve ser aberto para apurar esse fato. ''Alguns detalhes ainda fazem parte da investigação, que ainda está em andamento. O fato é que o núcleo central foi desbaratado'', concluiu Márcio Amaro.(Colaborou Lucio Flávio Cruz)

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