Lisboa, 7 (AE)- A empresa de cervejas Cintra está de olho na possibilidade de a AmBev vender fábricas para crescer no Brasil. "Pelas declarações publicadas, a AmBev deverá racionalizar a produção e fechar fábricas, o que deve criar boas oportunidades de negócio para nós", diz Carlos Carreiras, diretor geral do grupo. "Se essas oportunidades se inserirem no nosso plano de crescimento, poderiam criar condições para crescermos".
A estratégia do grupo português Cintra prevê conquistar 10% do mercado brasileiro de cervejas nos próximos 10 anos. Atualmente, o grupo produz a cerveja Cintra em Mogi-Mirim, no Estado de São Paulo, numa fábrica comprada da Kaiser, e está construindo uma fábrica em Piraí, no Rio de Janeiro. A fatia do mercado ocupada pela Cintra é de 1,8%. "Neste momento, não há dados para alterar a estratégia", diz Carreiras.
Em relação à formação da AmBev, Carreiras considera que o papel principal é o do Cade na definição das regras da associação da Brahma com a Antartica: "Desde que sejam respeitadas as leis do mercado e da concorrência, não vai mudar nada. Já estaríamos brigando com eles no mercado".
Para Carreiras, o prazo dado ao Cade para se tomar uma decisão sobre a AmBev é longo. "O Cade tem 120 dias para se pronunciar, mas acredito que tem de ser o mais rápido possível, para que o mercado saiba com que regras vai jogar no futuro". Segundo ele, se o monopólio começar a fazer guerras de preços, poderá surgir uma situação de fuga de capitais do Brasil.
"Essencialmente, esperamos que o Cade garanta a livre concorrência do mercado para que as pequenas e médias empresas possam se manter. No momento atual, a garantia das condições de concorrência no mercado seria importante para outras indústrias, porque poderia ser prejudicial para outros empresários que pretendam investir no Brasil".

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