Grupo católico conservador pressiona arcebispo pela volta das missas presenciais


Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha

O grupo de católicos que rivaliza com o arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, questiona a decisão do líder religioso de não permitir o retorno das missas presenciais. Os outdoors trazem o questionamento “Até quando ficaremos longe da Santa Missa, Dom Geremias?” e o endereço eletrônico brasilcatolico.org, que não está ativo. 


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. | Vitor Struck/Grupo Folha
 


A responsabilidade pelos painéis publicitários é do mesmo grupo que, em 2019, pedia também em outdoors “a retirada do PT do altar” e pleiteava, inclusive, a saída do bispo de Londrina. 




As missas e cultos religiosos foram proibidos por meio de decisões do Executivo para evitar a proliferação do novo coronavírus. Entretanto, um decreto do governador Ratinho Junior (PSD) do dia 21 de maio possibilitou o retorno dos encontros religiosos, mas a Arquidiocese de Londrina informou que vai manter a suspensão até o dia 15 de junho em decisão tomada em reunião virtual do clero, como forma de colaborar com o combate à Covid-19. 


Os anúncios foram afixados em locais próximos a pontos de lazer, como a rua Martin Luther King, via próxima ao Zerão, nos arredores do Lago Igapó, e em vias de grande volume de trânsito, como a avenida Harry Prochet.  


“Existe uma preocupação com o coronavírus, mas nada justifica a decisão, até agora, que não haja missas em Londrina, tomando os devidos cuidados. O governador já permitiu, o prefeito [Marcelo Belinati, PP], já permitiu, e cidades como Curitiba, Cascavel e Rolândia já têm missas. Por que aqui não pode?”, questiona o advogado Bruno Pedalino, membro do grupo Brasil Católico. 


Questionado se já conversaram diretamente com o bispo sobre a retomada das missas, Pedalino disse que enviou uma correspondência a ele, mas não foi respondido. 


Procurado pela FOLHA, o arcebispo de Londrina, dom Geremias Steinmetz, se pronunciou sobre a cobrança dos fiéis. Segundo ele, a Arquidiocese "tem bastante consciência do problema ocasionado pelo coronavírus. Todo cuidado é pouco também nesse momento da sociedade. Sabemos dos recentes decretos governamentais que, aos poucos, liberaram a retomada de alguns serviços. Porém, nosso papel é ajudar os poderes públicos a superar dificuldades do nosso tempo. Além disso, os números de Londrina não são favoráveis. Os casos estão aumentando, o que não significa que o problema esteja resolvido", disse. 


"Queremos a vida. Nesse momento que vivemos, celebrar a Eucaristia, se aglomeramos pessoas, poderíamos influenciar em mortes. Mantive a decisão na reunião online do dia 22 de maio. Mesmo sem as missas, podemos cultivar a fé de várias formas, como as celebrações domésticas, intensificar a caridade", completou Steinmetz. 




(Matéria atualizada com a resposta do arcebispo dom Geremias Steinmetz)


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