Campinas, SP, 03 (AE) - Pesquisadores das três universidades paulistas - Universidade de São Paulo, USP, Universidade Estadual de Campinas, Unicamp, e Universidade Estadual Paulista, Unesp - estudam há 2 anos as propriedades físicas dos neutrinos e suas implicações no campo da astrofísica e da cosmologia, em um grupo chamado GEFAN (http://neutrinos.if.usp.br) - Grupo de Estudos da Física e Astrofísica de Neutrinos. Eles acabam de concluir um modelo de simulação alternativo ao proposto pelo grupo internacional, que trabalha no Japão com o experimento conhecido como Super-Kamiokande. De acordo com os brasileiros , o comportamento dos neutrinos no experimento pode ser explicado sem a necessidade de atribuir-lhes massa.
Os neutrinos são partículas elementares, emitidas durante o decaimento de qualquer elemento radioativo. São tão pequenos que conseguem atravessar, sem nenhuma interação, a atmosfera e a maioria das matérias: organismos vivos, solo, água, rochas e metais, incluindo chumbo. Estão presentes nos raios cósmicos e solares e atravessam toda a Terra de cima para baixo (durante o dia) e de baixo para cima (durante a noite), tomando-se como referência uma mesma localidade.
Estima-se que uma pessoa de 70 kg emite, a cada hora, cerca de 20 milhões de neutrinos, devido à presença de potássio - elemento radioativo - em seu organismo. A mesma pessoa é atravessada, a cada segundo, por aproximadamente 50 bilhões de neutrinos, produzidos em fontes naturalmente radioativas da Terra, e outros 100 bilhões provenientes de reatores nucleares de todo o mundo, além dos 100 a 400 trilhões de neutrinos oriundos do Sol.
Desde que a existência dos neutrinos foi proposta, em 1930, pelo físico Wolfgang Pauli, muitas teorias da Física, Astrofísica e Cosmologia foram reformuladas. A demonstração da existência dos neutrinos, no entanto, só foi possível após a Segunda Guerra Mundial, com o controle da fissão nuclear (base para a fabricação da bomba atômica). E sua detecção não aconteceu antes de 1956, em experiência na Carolina do Sul, EUA. Mesmo depois de detectados, os neutrinos continuam apresentando quebra-cabeças aos físicos, que ainda discutem, no final dos anos 90, se eles têm massa ou não.
"No início do mês de junho o experimento internacional Super-Kamiokande, localizado no Japão, encontrou evidências da existência de neutrinos com massa", explica o salvadorenho Vicente Pleitez, do GEFAN. "Mas nosso grupo, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Valência (Espanha) e de Madison (EUA), mostrou que os resultados do Super-Kamiokande podem ser explicados por um mecanismo alternativo, que não implica existência de neutrinos com massa." O trabalho será publicado na revista internacional mais conceituada da Física, a "Physical Letters Review".
Os pesquisadores do GEFAN contam com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq (http://www.cnpq.br), e financiamentos do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, Pronex (http://www.mct.gov.br/mcthome/pronex/default.htm) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br).
Maiores informações com Vicente Pleitez, através do endereço eletrônico [email protected] ou com Marcelo Guzzo, no endereço [email protected].

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