São Paulo, 21 (AE) - Os 30 vereadores que votaram ontem (20) contra a prorrogação da CPI dos Fiscais têm outras coisas em comum além do voto. Vinte e oito deles também votaram pelo arquivamento do processo de impeachment do prefeito Celso Pitta, na mesma sessão. Apenas um deles não controla nenhuma regional ou módulo do Plano de Atendimento à Saúde (PAS). Há suspeitas de corrupção sobre quase a metade.
Apresentam justificativa idêntica para sua posição: a Câmara Municipal precisa trabalhar e deve deixar as investigações sobre corrupção para a polícia e para o Ministério Público Estadual (MPE). "Isso tudo pode ser resolvido fora daqui para deixar esta casa trabalhar", argumentou o vereador Edivaldo Estima (PPB), repetindo o discurso de outros parlamentares. "A população já estava cansada dessa história, que é coisa para polícia e juiz, não para vereador."
Na sessão de ontem (20) vereadores da situação conseguiram manter na pauta a votação da prorrogação por mais 90 dias da CPI. Isso pegou de surpresa a oposição, que iniciaria uma manobra para adiá-la até terça-feira, a fim de ampliar o apoio. O requerimento acabou votado um pouco antes do arquivamento do processo de impeachment de Pitta.
Embora 30 votos tenham derrubado a continuidade da CPI, outros três vereadores trabalharam pela decisão. Brasil Vita (PPB), o mais explícito, votou internamente na comissão a favor do requerimento, mas correu ao plenário para orientar os colegas da bancada dizendo: "É não, hein!"
O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), absteve-se de votar, ignorou os pedidos de "questão de ordem" da oposição e não encerrou a tumultuada sessão - o que poderia ter feito, impedindo que a questão fosse arquivada naquele dia. Milton Leite (PMDB), por sua vez, foi discreto em plenário, mas articulou nos bastidores pelo fim da CPI.
Autopunição - Para o vereador Miguel Colasuonno (PPB), os parlamentares já fizeram sua parte dando uma "clara demonstração de interesse em apurar" a corrupção. "A Câmara já mostrou sua capacidade de autopunição, colocando quatro vereadores na linha de cassação", disse.
"Eu só vou aceitar que qualquer colega meu esteja envolvido na hora em que o Ministério Público condená-lo; senão vamos cassar todo mundo em 90 dias", opinou Alan Lopes (PTB). "Até agora a CPI não trouxe nenhum fato novo; estão a reboque do Ministério Público", disse Antônio Goulart, do PMDB, última bancada a se definir. "O pedido era político; então tomamos uma decisão política de rejeitá-lo", completou Goulart, que controla a regional de Cidade Dutra. Na avaliação do bloco, a população não se incomodará com sua atitude, porque já está "cansada" do assunto.

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