Grupo Atalla mantém empresa há três décadas
No portão do setor administrativo da usina, seguranças armados impedem a entrada de pessoas estranhas. O aviso de uma placa na grade, junto à recepção, deixa claro que penetras não são bem-vindos. A curiosidade mata, diz a placa, que tem um desenho de uma caveira. Sem informações precisas e sem acesso à diretoria da empresa, a reportagem da Folha apurou que a Usina Central Paraná foi adquirida pelo Grupo Atalla, do interior do Estado de São Paulo, no início da década de 70.
Além das inúmeras fazendas próprias e arrendadas, os usineiros Rudnei e Volnei Atalla ainda têm um patrimônio significativo, que compreende todo o setor operacional de plantio, colheita, transporte e produção de açúcar e álcool. Segundo funcionários, o diretor-geral da usina seria Jaime Navarro, que residiria em Porecatu.
Somente em Porecatu, são empregados anualmente durante a safra, cerca de sete mil trabalhadores. As inúmeras denúncias feitoas pelos trabalhadores de casos de rescisão ilegal de contratos, ausência de FGTS e não recolhimento de impostos, retaliações, como demissões sem justa causa, levaram à paralisação total, que já dura mais de uma semana. As negociações foram empreendidas por dezenas de sindicalistas e comissão de trabalhadores. O representante da empresa, o diretor-administrativo Glauco Miguel Ferrigno, apresentou a proposta às reivindicações e saiu sem dar entrevistas, entrando em um carro que o aguardava.
Na segunda-feira de manhã, os sindicatos de Londrina, Porecatu e cidades vizinhas, que coordenam o movimento, programaram uma nova discussão sobre a proposta da empresa às exigências dos grevistas. Uma passeata também está prevista. Há uma grande expectativa dos sindicalistas para que os comerciantes apóiem a mobilização. (M.B.)





