Trinta homens armados, com uma suposta bomba e submetralhadora com silenciador, entram em um depósito de materiais esportivos, durante o dia, fazem três dezenas de reféns, roubam R$ 1 milhão em mercadorias importadas, e somem com quatro caminhões tipo baú carregados.
Não é história inventada, mas o segundo assalto cinematográfico registrado em cinco dias na Grande São Paulo. O primeiro caso foi na segunda, quando dez homens disfarçados de médicos e faxineiros tentaram roubar malotes do Banco do Brasil dentro do Hospital do Servidor Municipal, na região central da capital.
A operação de ontem, em Itapevi (37 km de São Paulo), chamou a atenção pelos detalhes. Em vez de roubar o caminhão carregado, foram ao depósito. Tinham informações pessoais dos funcionários, queriam um tipo de carga e levaram transporte próprio.
Era 7h30 da manhã, segundo os funcionários da Adidas, quando os assaltantes agiram. Eles renderam o vigilante no portão, no momento em que ele atendia uma caminhão que iria descarregar.
Entre motoristas e ajudantes, eram 30 os ladrões envolvidos na operação - número idêntico ao de policiais civis do município de Itapevi, com 300 mil habitantes, e isso se forem contados escrivães e carcereiros. Há apenas oito investigadores para a cidade toda.
Um dos assaltantes assumiu a portaria, vestido com um jaleco, e passou a recolher todas as pessoas que chegavam. O bairro Nova São Paulo tem diversos barracões que servem como depósito.
A quadrilha tinha pistolas, revólveres, um fuzil AR-15, uma submetralhadora com silenciador - artefato que serve para ‘‘abafar’’ o som do disparo - e radiocomunicadores na frequência das Polícias Civil e Militar.
Três caminhões do grupo foram usados para carregar cerca de 15 mil pares de tênis importados, de um lote que havia sido entregue uma semana antes. ‘‘Não queriam nada nacional’’, disse Celso Antônio, 53 anos, diretor-financeiro da Adidas em São Paulo e um dos reféns.
Uma kombi da própria Adidas e um caminhão pequeno que chegou para descarregar foram roubados também. Esses veículos saíram carregados de tênis. ‘‘Descarreguei o meu caminhão e tive de ajudá-los a colocar a carga que queriam dentro’’, disse Ozanildo Leôncio da Silva, 24, dono do caminhão levado pelo grupo.
Após três horas, os assaltantes fugiram. Ninguém se feriu.

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