Brasília, 07 (AE) - O presidente do Grupo Algar, Luiz Alberto Garcia, afirmou hoje que está vendendo cerca de 40% das ações ordinárias da ATL, empresa que opera a banda A da telefonia celular no Rio e no Espírito Santo, para a operadora americana Southwestern Bell Communication (SBC). Segundo Garcia, o pedido de efetivação do negócio foi encaminhado ontem (06) à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ainda deverá aprovar a entrada da operadora americana na empresa.
"O negócio depende só da aprovação do Guerreiro", disse Garcia, referindo-se ao presidente da Anatel, Renato Navarro Guerreiro, com quem almoçou ontem. O negócio, segundo Garcia, estaria concluído e gira em torno de US$ 345 milhões. Os recursos, de acordo com o presidente do Algar, seria suficiente para pagar a próxima parcela da licença da banda B, que vence em abril, que é de cerca de R$ 300 milhões.
No início da noite, depois das declarações de Garcia, o vice-presidente executivo do grupo, José Mauro Leal Costa, negou que o negócio havia sido concluído. Segundo ele, as negociações para venda de 40% das ações preferenciais que a Algar Telecom tem na ATL ainda estão em andamento e devem se encerrar em 60 dias. Vários grupos estariam interessados no negócio, segundo o vice-presidente executivo da empresa. De acordo com Costa, a Algar também não enviou ontem a documentação para a Anatel analisar. Ele explicou que são constantes os pedidos de esclarecimento feitos pelo grupo ao órgão regulador. A SBC, segundo Costa, provavelmente poderá entrar na operadora de celular, pois é sócia nos Estados Unidos da Willians, que também tem 55% do capital total da ATL. A Willians, que é operadora de telefonia via Internet, associou-se à Algar há dois anos.
Segundo o conselheiro da Anatel Antonio Carlos Valente, depois de receber a documentação do Grupo Algar, a agência deverá levar pelo menos 60 dias para analisar o assunto. Vários pontos serão considerados. Segundo Valente, o edital de licitação da banda B da telefonia celular determina que pelo menos 51% das ações devem permanecer nas mãos de empresas nacionais.
Da mesma forma, a agência vai verificar se a entrada da SBC no mercado brasileiro não irá ferir o regulamento de outorgas, que proíbe uma empresa ter controle sobre duas ou mais operadoras de celular em áreas de concessão semelhantes. Na licitação da banda B, a SBC fez parte do consórcio Brascom, formado também pela Andrade Gutierrez Telecom, Mannesmann e Grupo Monteiro Aranha.
Segundo Valente, este tipo de negócio pode ser uma solução para as empresas brasileiras que estão tendo dificuldade em conseguir financiamento externo. "O que a gente tem observado é quem tem havido dificuldades de captação de recursos no mercado internacional", disse Valente. "Pode ser que esta alternativa seja uma forma de fugir das dificuldades que estão surgindo no mercado."

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