Grupo ainda ameaça invadir Ilha Grande
Das cerca de 60 famílias de ex-ilhéus de Ilha Grande que fazem parte do Grupo Xambrê, a maioria fica em Vila Alta. No discurso, a promessa é invadir a ilha caso não recebam logo um pedaço de terra para trabalhar. ''Nem que eles matem a gente, nós vamos entrar'', radicaliza José Braga da Silva, 61 anos, que foi ilhéu durante 12 anos.
José guarda no barraco documentos para provar que tinha uma área de cinco alqueires em Ilha Grande e reclama que espera até hoje por uma indenização. ''Fomos jogados como saco de lixo'', queixa-se. Em Xambrê, ele chegou a ganhar uma casa na vila rural, mas não gostou da idéia. Hoje, apenas sua mulher vive na unidade.
''Aquilo é um engano. O pedaço de terra é muito pequeno'', considera José. Ele diz que a lote não proporciona renda e que não vem pagando as prestações. ''Na verdade, é o Estado que me deve.'' O filho dele, Nílson Braga Costa, 36 anos, também está no movimento, depois de uma passagem frustrada pelo MST na região de Querência do Norte.
''Fiquei no MST um ano e meio, mas a baderna foi muita e achei que não dava certo'', conta. Davi Ferreira Neto, o vice-líder do movimento, diz que não apóia a invasão de Ilha Grande, mas que existe essa vontade entre os ilhéus.





