Gros sabia da situação do Grupo Sapucaia até depois de ter saído
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 31 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, esteve informado da situação do Grupo Sapucaia, que teve falência decretada há dois anos, mesmo depois de sair da holding
segundo um dos sócios da empresa, Ricardo Fernandez. A declaração de Fernandez foi dada na quarta-feira, no inquérito civil público aberto pelo Ministério Público Federal para apurar se atuação de Gros na Sapucaia e no banco BFC, controlado pelo grupo, compromete sua indicação para o BNDES.
A versão de Fernandez contraria a de Gros, que disse que se afastou completamente do BFC depois de ter saído da empresa. Segundo os autos do depoimento de Fernandez, dado aos procuradores da República Silvana Batini e Rogério Nascimento, "mesmo depois de afastado, o senhor Francisco Gros foi informado de tudo o que se passava nas empresas do grupo".
O outro sócio da Sapucaia, Luís Otávio de Almeida Carneiro, também contradisse o presidente do BNDES em seu depoimento, tomado no mesmo dia do de Fernandez. Carneiro afirmou que Gros jamais apresentou proposta de venda de sua participação na Sapucaia. No dia da sua posse, o presidente do BNDES afirmou que tentou vender sua parte, mas os dois outros sócios não tiveram como pagá-lo.
Investimento - Carneiro também contou que o presidente do BNDES foi o autor da iniciativa de a Sapucaia investir na área de informática, primeiro pela compra da empresa de informática Eden. A compra desta empresa foi feita com recursos do BFC. A operação foi considerada um "desvio" que gerou R$ 958.032,80 de prejuízo durante a primeira gestão de Gros no banco, segundo apontou a fiscalização do BC.
O BFC sofreu intervenção do BC, mas a medida foi posteriormente suspensa na Justiça Federal - e a instituição voltou a passar para a responsabilidade do síndico da massa falida da Sapucaia. O relatório dos fiscais do órgão também apontou outras irregularidades na gestão do banco, como venda irregular de Títulos de Dívida Agrária (TDA), mas na época em que Gros não estava mais na Sapucaia.
O episódio da quebra de Sapucaia teria atritado Fernandez e Gros. Em um depoimento dado no processo da falência, na 4ª Vara de Falências e Concordatas, Fernandez chegou a dizer que o presidente do BNDES abandonou a sociedade "de maneira nada profissoinal, deixando acéfalo" o projeto de investimentos em informática.
No depoimento aos procuradores nesta semana, Carneiro também afirmou que a saída de Gros foi uma causa, mesmo que secundária, para a quebra do banco. Tanto Carneiro como Fernandez foram representados no Ministério Público pelos advogados Técio Lins e Silva e Ilidio Moura. Procurado, Gros informou que só seu advogado, Jorge Hilario Gouvêa Vieira, poderia se pronunciar sobre o caso. Gouvêa Vieira também não foi encontrado em seu escritório hoje à tarde.


