Rio, 24 (AE) - O procurador da República Artur Gueiros contou hoje que o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, escapou durante três anos de ser intimado em um processo sob o argumento de que moraria nos Estados Unidos. O processo, no qual Gros era acusado de participar de um empréstimo fraudulento no banco BFC, foi extinto por determinação da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ano passado.
A denúncia contra Gros foi feita pelo procurador André Barbeitas. Gueiros participou também do processo. Ele disse não se lembrar de todos os detalhes do caso, mas recordou-se do "fato peculiar" da dificuldade em intimar o novo presidente do BNDES. "Ele se esquivou do processo durante dois ou três anos, alegando não residir no Brasil, apesar de sempre ser visto aqui."
O Ministério Público Federal só conseguiu entregar a Gros a intimação por um "golpe de sorte", admitiu Gueiros. "Um belo dia, soubemos pela imprensa que ele iria dar uma palestra na zona sul do Rio e o oficial de justiça correu para o local", recordou. "Só assim conseguimos denunciá-lo."
Segundo Gueiros, Gros não foi escolhido de forma tão "aleatória", como declarou anteontem o advogado de defesa do presidente do BNDES no caso, Nélio Machado. O procurador da República também rejeitou a tese de que não havia base para a denúncia, como disse Machado. "Se a acusação fosse tão sem fundamento, ele (Gros) não teria ficado de dois a três anos tentando escapar de ser intimado", argumentou.
Gueiros afirmou que a decisão da 5.ª Turma do STJ, de extinguir o processo por um pedido de habeas-corpus feito por Machado, foi tomada por uma "leitura mais liberal" da legislação financeira. "Foi um habeas-corpus milagroso", ironizou o procurador. O relator do processo foi o ministro Edson Vidigal. O BFC foi fechado após sofrer intervenção do Banco Central para ser liquidado - quando Gros já estava no Morgan Stanley, em 1995.

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