Rio, 31 (AE) - A queda no crescimento da economia, prevista em 4% pelo governo no início do ano, deverá ser reduzida à metade, segundo estimativa do economista Francisco Gros, diretor-executivo para a América Latina do banco norte-americano Morgan Stanley. Segundo ele, o comportamento do câmbio e as relativamente baixas taxas de inflação do País estão causando a revisão das projeções da maioria dos bancos de investimentos internacionais que operam no mercado brasileiro.
"As expectativas dramáticas não estão se confirmando, todos os picos de índices já foram atingidos e temos hoje um quadro razoavelmente tranquilo", afirmou Gros, em palestra para acadêmicos, economistas e executivos do mercado financeiro reunidos hoje no Instituto Brasil-Europa. Mas ele se confessou pessimista quanto à atração do capital externo, especialmente no programa de privatização, e quanto à meta de superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial, estipulada pelo governo para este ano, que considerou "fora da realidade".
O Morgan Stanley está trabalhando com a cotação do dólar
daqui até o fim do ano, entre R$ 1,65 e R$ 1,75 e, segundo Gros
a meta acordada com o Fundo Monetário Internacional para o índice de inflação de 16,8% é "atingível e até conservadora". "A mudança é que governos anteriores prometiam 100 para entregar 60 e hoje, se o governo acha que pode entregar 60, promete 40 ou 50", exemplificou o ex-presidente do Banco Central nos governos Sarney (três meses, em 1987) e Collor (entre 1991 e 1992).
Gros lembrou que, apesar deste cenário positivo, a avaliação de risco do Brasil hoje é mais baixa do que a de concorrentes latino-americanos, como Argentina e México, e equivalente à de países em crise mais aguda, como a Rússia. Segundo ele, ainda há muita desconfiança dos investidores estratégicos estrangeiros no mercado brasileiro. Citando o exemplo a Telefonica de España, que investiu em dólar e está cobrando tarifas com o real desvalorizado, ele argumenta que "o impacto de qualquer investimento pesado no Brasil é algo que ainda assusta".
O temor externo pode dificultar principalmente o programa de privatizações, com o qual o governo pretende arrecadar este ano R$ 27 bilhões. "Temos necessidade de entrada de dinheiro, mas não vai adiantar vender barato", diz Gros. Segundo ele, a necessidade de investimento de peso das empresas estrangeiras que adquiriram, no ano passado, estatais brasileiras, pode trazer divisas a mais para o Brasil. "Também não haverá problemas para vender os bancos estaduais e a Comgás", diz ele. "Já as companhias de geração de energia, só no segundo semestre se terá certeza sobre o cenário para a venda."

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