Gros diz que o governo não pode "brincar" de privatização2/Mar, 20:00 Por Maria Fernanda Delmas e Gustavo Alves Rio, 02 (AE) - O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, afirmou hoje, em sua solenidade de posse, que o governo não pode "brincar de privatização". Ele não citou casos específicos. "Frequentemente, as privatizações não vão até o fim da linha", disse. "O governo continua desempenhando um papel nas empresas vendidas, por intermédio de suas companhias, de seus fundos de pensão e às vezes até do próprio BNDES". Ele defendeu que o poder deve estar efetivamente nas mãos dos grupos privados que compraram o controle destas empresas para que elas não fiquem "semi-privatizadas" ou haja "privatização de fachada". Para Gros, a privatização trouxe participações acionárias cruzadas, e o BNDES deve estimular o "descruzamento" ou outras combinações societárias que venham a ser propostas pelas empresas. Gros também fez críticas à participação da Petrobras no setor petroquímico - a estatal, além de permanecer no setor, entrou na composição acionária do Pólo Gás-Químico, no Rio, junto com empresas privadas. "Não entendo a participação minoritária da Petrobras na petroquímica, na medida em que, até agora, a empresa sinalizava claramente que desejava sair deste setor". Ele completou: "De longe, não enxergo a lógica da Petrobras, mas, se houve mudança, ouviremos com atenção seus argumentos, porque, se a intenção era sair, tem de haver uma coerência". Durante seu discurso, Gros já havia feito uma refência ao programa de desestatização. "Estamos decididos a não admitir retrocessos em empresas já privatizadas, cujas gestões devem, ao contrário, avançar cada vez mais no combate aos vícios corporativos do passado". Apesar das críticas, Gros defendeu os investimentos feitos pela subsidiária BNDESPar nas empresas privatizadas. "A BNDESPar tem por missão investir, e deve continuar fazendo isto". O novo presidente do BNDES também não vê problemas na golden share (uma ação com poder de veto) que o governo detém na Companhia Vale do Rio Doce, por considerá-la diferente de ter o controle. "A golden share existe para que haja direito de interferir em determinados fatores". Sobre a discussão em torno da venda de participação na Vale a estrangeiros, Gros disse que "seria uma tristeza que a empresa fosse desnacionalizada". Na gestão de Gros, o BNDES deve apoiar as reestruturações setoriais, mas não vai desenhar modelos, ele garante. O protocolo do banco com o grupo Ultra para investimento na petroquímica deve continuar valendo. Gros classificou como fundamental a contribuição do capital estrangeiro no País, e vai incentivar a participação estrangeira nas privatizações, apesar de prometer o fortalecimento da empresa nacional.